O Deutsche Bank apresentou resultados trimestrais acima das expectativas do mercado, alcançando o maior lucro desde que Christian Sewing assumiu a liderança da instituição financeira alemã, num período marcado por elevada incerteza geopolítica e crescente pressão sobre o sector bancário europeu.
O maior banco da Alemanha registou um lucro líquido atribuível aos accionistas de 1,91 mil milhões de euros no trimestre, superando as previsões dos analistas, que apontavam para cerca de 1,76 mil milhões de euros. O desempenho representa também uma melhoria face ao mesmo período do ano passado, quando os lucros rondaram 1,77 mil milhões de euros.


Os resultados surgem numa fase particularmente sensível para os mercados financeiros internacionais, pressionados pelo conflito no Médio Oriente, pela persistência de taxas de juro elevadas e pelos receios em torno da desaceleração económica global. Ainda assim, o banco alemão conseguiu manter níveis sólidos de rentabilidade, impulsionados sobretudo pela actividade do banco de investimento.
Apesar do desempenho positivo, o Deutsche Bank aumentou significativamente as provisões para perdas com crédito, que subiram para 519 milhões de euros, acima dos 471 milhões registados no ano anterior e também superiores às expectativas do mercado. A instituição justificou o reforço com a deterioração do ambiente macroeconómico e com os riscos crescentes associados ao crédito empresarial.

O banco admitiu igualmente que a desvalorização do dólar teve impacto negativo nos resultados convertidos para euros, num momento em que a volatilidade cambial continua a afectar instituições financeiras com forte exposição internacional. Ainda assim, o desempenho da unidade de negociação de obrigações e câmbio revelou maior resiliência do que o esperado pelos analistas.
Na banca de investimento, considerada o principal motor de receitas do grupo, os ganhos mantiveram-se relativamente estáveis, enquanto os serviços de originação e consultoria cresceram de forma moderada. Já a divisão de banca de retalho apresentou expansão nas receitas, contrastando com a unidade corporativa, que registou uma quebra acima das previsões do mercado.


O Deutsche Bank reviu também em alta as perspectivas de receitas para a sua divisão de investimento até 2026, sinalizando maior confiança na capacidade de crescimento da instituição, mesmo num contexto global mais adverso. A revisão surge numa altura em que vários bancos europeus enfrentam pressão adicional relacionada com inflação persistente, menor crescimento económico e aumento dos riscos de incumprimento.
Analistas consideram que os resultados reforçam a posição do Deutsche Bank entre os principais bancos europeus, mas alertam que os próximos trimestres poderão continuar marcados por elevada volatilidade, sobretudo se persistirem tensões geopolíticas e deterioração das condições de crédito nos mercados internacionais.

