O mercado global de tungstênio registou uma forte escalada de preços, atingindo níveis recorde, numa altura em que a oferta se torna cada vez mais limitada e a procura ligada ao sector militar continua a crescer.
O aumento dos preços está directamente associado ao reforço das restrições de exportação impostas pela China, que é responsável pela maior parte da produção mundial deste metal estratégico. O país reduziu quotas de mineração e endureceu o controlo sobre a exportação de produtos derivados, aumentando a pressão sobre o mercado internacional.
O paratungstato de amónio (APT), um dos principais intermediários utilizados na produção de tungstênio metálico, ultrapassou os 3.000 dólares por tonelada métrica em Roterdão, registando uma valorização superior a 200% desde o início do ano. Este movimento reflecte um desequilíbrio crescente entre oferta e procura.


O tungstênio é considerado um metal essencial para sectores como aeroespacial e defesa, devido à sua elevada resistência ao calor, dureza e durabilidade em condições extremas. Estas características tornam-no indispensável na produção de armamento, componentes industriais e equipamentos de alta performance.
As restrições chinesas intensificaram-se em 2025, com novas limitações à exportação e a redução do número de empresas autorizadas a operar no comércio externo do metal. A medida incluiu a autorização de apenas 15 empresas para exportar tungstênio entre 2026 e 2027, reforçando o controlo estatal sobre o sector.
Em paralelo, a crescente utilização do metal em aplicações militares tem vindo a alterar o equilíbrio da procura global. Estimativas de mercado indicam que o sector da defesa já representa cerca de 12% do consumo mundial de tungstênio, podendo atingir 15% nos próximos anos, impulsionado por programas de rearmamento e reposição de stocks.


O sector automóvel continua a ser o maior consumidor, representando entre 25% e 30% da procura global. No entanto, a transição para veículos eléctricos pode alterar este cenário ao longo da próxima década, reduzindo parcialmente a dependência deste material em determinadas aplicações industriais.
Analistas alertam que a procura do sector de defesa cresce a um ritmo anual de cerca de 8% e poderá ultrapassar o sector automóvel como principal consumidor de tungstênio até meados da década de 2030, caso as tendências actuais se mantenham. Ao mesmo tempo, países fora da China tentam aumentar a produção, mas a dependência global continua elevada e sem alternativas imediatas de curto prazo.

