A Arábia Saudita poderá reduzir os preços oficiais de venda (OSP) do petróleo bruto destinado aos mercados asiáticos em junho, após semanas de forte pressão nos preços provocada pela guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. A expectativa surge num momento em que os prémios do mercado à vista começam a recuar e a procura asiática mostra sinais de abrandamento.
Segundo fontes consultadas pela Reuters, o petróleo Arab Light poderá ser vendido com um prémio entre 7,50 e 14,50 dólares por barril acima das referências de Dubai e Omã, representando uma redução de até 12 dólares por barril em relação aos preços praticados em maio. A amplitude das previsões reflecte a incerteza dos compradores asiáticos sobre a estabilidade do fornecimento global.
Os preços físicos do crude começaram a recuar após uma onda inicial de compras motivadas pelo receio de interrupções no abastecimento durante o conflito no Médio Oriente. Dados do mercado mostram que o prémio do petróleo de Dubai caiu significativamente desde março, passando de máximos históricos acima dos 60 dólares para cerca de 9 dólares por barril em abril.


A diminuição da procura também está relacionada com a chegada prevista de novas cargas provenientes dos Estados Unidos, da África Ocidental e de outros produtores globais. Paralelamente, refinarias da Índia e do Sudeste Asiático aumentaram as compras de petróleo russo, aproveitando isenções comerciais concedidas pelos EUA.
Na China, principal compradora do petróleo saudita, as refinarias enfrentam dificuldades devido ao aumento dos custos da matéria-prima e à redução das margens de refinação. O cenário levou muitas empresas chinesas a reduzirem as encomendas de crude saudita para Maio, atingindo o menor volume já registado.
A Saudi Aramco tem recorrido ao porto de Yanbu, no Mar Vermelho, como alternativa logística para exportar petróleo, numa tentativa de contornar os constrangimentos provocados pela instabilidade no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas energéticas do mundo.

Os analistas esperam ainda cortes semelhantes nos preços de outras variedades de crude saudita, numa estratégia destinada a preservar competitividade nos mercados asiáticos e manter a quota de exportação num ambiente global marcado por volatilidade geopolítica e desaceleração da procura.

