O reforço do compromisso institucional de Angola com os direitos de autor, anunciado pelo ministro Filipe Zau, sinaliza uma tentativa de reposicionar o país dentro da economia criativa global, onde a propriedade intelectual se afirma como activo económico estratégico. A audiência com a artista cabo-verdiana Solange Cesarovna, reconhecida pela sua actuação na defesa dos direitos de autor em África, revela uma abordagem orientada para parcerias internacionais e transferência de conhecimento.
O encontro, enquadrado nas celebrações do Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor e do Dia Mundial da Propriedade Intelectual, reforça a ligação entre política cultural e agenda económica. Ao colocar a protecção da criação artística no centro da discussão, o Executivo procura criar condições para que artistas e produtores transformem conteúdo em valor financeiro sustentável, reduzindo perdas associadas à informalidade e à pirataria.



Do ponto de vista empresarial, a aposta em mecanismos de capacitação e proteção jurídica pode melhorar o ambiente de negócios no sector criativo, tornando-o mais atractivo para investimento. A referência à iniciativa “WIPO for Creators”, da Organização Mundial da Propriedade Intelectual, e ao programa CLIP, posiciona Angola dentro de um ecossistema global que promove a monetização de conteúdos artísticos, especialmente no ambiente digital, onde a distribuição e o consumo estão em rápida expansão.
A estratégia delineada também evidencia a necessidade de modernização institucional, incluindo a digitalização de registos, fiscalização mais eficaz e educação dos criadores sobre gestão de direitos. Sem estes pilares, a protecção legal tende a ser ineficaz, limitando o potencial de geração de receitas para artistas e para o próprio Estado, através de impostos e formalização de actividades.


Numa leitura crítica, o sucesso desta agenda dependerá da execução prática e da articulação entre entidades públicas, sector privado e criadores. A aproximação a figuras como Solange Cesarovna acrescenta credibilidade e visibilidade internacional, mas o verdadeiro impacto económico só será alcançado se as políticas se traduzirem em sistemas funcionais que garantam remuneração justa, transparência e competitividade no mercado cultural angolano.

