África poderá enfrentar um défice de até 86 milhões de toneladas de combustíveis refinados até 2040, num cenário que expõe fragilidades estruturais, mas também cria uma das maiores oportunidades industriais do continente, segundo relatório da Corporação Financeira Africana (AFC).
A dependência externa permanece crítica mais de 70% do combustível consumido é importado, num contexto em que o continente também gasta cerca de US$ 230 mil milhões por ano em bens essenciais, incluindo alimentos, aço e fertilizantes.
Para investidores e decisores, este quadro representa não apenas risco logístico, mas um mercado latente para substituição de importações e fortalecimento de cadeias de valor locais.


A pressão sobre o abastecimento global, agravada por tensões no Estreito de Ormuz, reforça a urgência de reposicionar África no mapa energético.
A AFC estima que a procura por combustíveis importados aumentará de 74 milhões de toneladas em 2023 para 86 milhões em 2040, evidenciando um desfasamento crescente entre consumo e capacidade interna de refinação.
Este desequilíbrio cria volatilidade nos custos, impacto direto na inflação e perda de competitividade industrial fatores que pressionam orçamentos públicos e margens empresariais em múltiplos sectores.
Neste contexto, líderes e investidores estão a acelerar planos para transformação estrutural.

O empresário Aliko Dangote já sinalizou expansão do modelo da refinaria de grande escala da Dangote Refinery para outras regiões africanas, condicionada ao apoio governamental, enquanto o presidente William Ruto defende uma mudança estratégica do modelo económico, focada na industrialização e produção local.
Segundo a AFC, investimentos robustos em refinação, logística e infraestruturas energéticas poderão não só mitigar o défice, mas desbloquear crescimento económico sustentável, reduzir exposição a choques externos e posicionar África como um polo competitivo na cadeia global de energia.

