
A Ghassist, empresa de assistência em solo com mais de 27 anos de experiência em Angola, enfrenta risco de falência após ser afastada do Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto, numa decisão que atribui a “motivos políticos”. O espaço passou a ser operado pelas empresas Aviapartner e Menzies, comprometendo o modelo de negócio histórico da Ghassist.
Desde então, a companhia já registou a saída de cerca de 200 trabalhadores, mantendo ainda pelo menos 500 colaboradores. Para garantir a continuidade das operações e o pagamento dos salários, a Ghassist sobrevive através do aluguer dos seus equipamentos às novas operadoras, uma estratégia de mitigação que assegura algum fluxo de caixa, mas não elimina os riscos financeiros.
Um ponto crítico é a cobrança de valores atrasados da TAAG, essenciais para a manutenção da folha salarial. Até ao terceiro trimestre de 2025, estes créditos eram avaliados em mais de 20 milhões de dólares, tendo já diminuído para cerca de 9 milhões, evidenciando uma redução significativa e aumentando o risco de insolvência da empresa.


A situação expõe vulnerabilidades estruturais do setor de assistência em terra, onde decisões políticas podem impactar diretamente a sustentabilidade financeira de empresas mesmo consolidadas. A Ghassist alerta para a necessidade de medidas urgentes para evitar perdas adicionais de empregos e liquidação de ativos.
O futuro da Ghassist depende da regularização dos pagamentos em atraso pela TAAG e de possíveis apoios institucionais que permitam manter a operação mínima e preservar empregos. A empresa continua a pressionar o governo e entidades reguladoras, buscando assegurar a sobrevivência num contexto competitivo e politicamente sensível.

