A Apple apresentou versões atualizadas do MacBook Air e do MacBook Pro, equipadas com os novos chips da série M5 e com aumento significativo do armazenamento base, numa estratégia clara para estimular a procura num mercado global de PCs mais frágil e pressionado pelo aumento dos custos de memória.
O novo MacBook Air de 13 polegadas passa a integrar o chip M5 e começa nos 1.099 dólares, trazendo agora 512GB de armazenamento de série — o dobro da geração anterior. Até aqui, essa capacidade exigia um desembolso de 1.199 dólares, o que significa que, na prática, o consumidor recebe mais pelo mesmo preço de entrada.
Já o MacBook Pro de 14 polegadas com chip M5 Pro arranca nos 2.199 dólares e passa a incluir 1TB de armazenamento base, acima dos 512GB oferecidos anteriormente em muitas configurações. Modelos topo de gama contam ainda com o M5 Max, focado em desempenho avançado e capacidades reforçadas de inteligência artificial no próprio dispositivo.

Desde que abandonou os processadores da Intel em 2020 para adotar chips próprios da série M, a Apple tem apostado fortemente em ganhos de desempenho e eficiência energética como principal argumento competitivo face aos fabricantes de PCs com Windows.
A decisão de aumentar o armazenamento base sem mexer significativamente nos preços principais reflete também um contexto mais apertado na indústria. Componentes como DRAM e memória flash NAND — essenciais para desempenho e capacidade — registaram aumentos acentuados de preço, à medida que fabricantes direcionam produção para aplicações ligadas à inteligência artificial.
O mercado global de computadores pessoais tem enfrentado procura irregular desde o pico de compras durante a pandemia, com consumidores e empresas a adiarem ciclos de renovação. Num ambiente em que muitos concorrentes competem quase exclusivamente por preço, a Apple opta por reforçar valor percebido sem entrar numa guerra de descontos diretos.


Além dos portáteis, a empresa lançou também o iPhone 17e, versão mais acessível da nova linha, com preço inicial de 599 dólares e armazenamento base aumentado para 256GB.
No essencial, a Apple não está a baixar preços — está a entregar mais pelo mesmo valor. Num mercado saturado e sensível a custos, é uma jogada calculada: preservar margens enquanto tenta convencer o consumidor de que ainda vale a pena atualizar.

