A China deverá apresentar esta semana, durante a sessão anual da Assembleia Nacional do Povo, as linhas mestras da próxima fase da sua estratégia tecnológica, com foco na transformação de avanços em inteligência artificial, robótica e espaço em escala industrial, de acordo com a Reuters.
Na abertura da reunião, em Pequim, a liderança chinesa divulgará o relatório anual de trabalho do Governo, os planos orçamentais e o esboço do 15.º Plano Quinquenal (2026–2030), documento que define prioridades estratégicas e os sectores que deverão receber maior apoio financeiro e político. No ano passado, modelos de inteligência artificial e tecnologias ligadas a robôs humanoides já haviam sido destacados como áreas prioritárias.
O encontro ocorre num momento sensível, semanas antes de uma prevista reunião entre o presidente chinês, Xi Jinping, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na qual controlos tecnológicos e cadeias de abastecimento deverão estar no centro das discussões.

Segundo a Reuters, o evento também marca um ano desde que desenvolvedores chineses de IA surpreenderam os mercados globais com avanços significativos, apesar das restrições norte-americanas ao acesso a semicondutores avançados. A startup DeepSeek é apontada como um dos exemplos dessa nova fase e deverá lançar um modelo de próxima geração nos próximos dias.
Analistas citados pela agência destacam que o desafio de Pequim passa agora por converter inovações isoladas em ganhos estruturais na indústria, logística e energia. O plano deverá reforçar o uso de grandes empresas estatais como âncoras para acelerar a adoção de soluções baseadas em IA, ao mesmo tempo que promove consolidação em sectores como a robótica humanoide, onde existem atualmente mais de 150 desenvolvedores domésticos.
Além da inteligência artificial, o espaço surge como outro sector estratégico. A empresa privada LandSpace planeia nova tentativa de recuperação do seu foguete reutilizável Zhuque-3, depois de realizar testes orbitais no final do ano passado.


Apesar do entusiasmo, a Reuters observa que alguns analistas consideram improvável que as indústrias emergentes, por si só, sustentem um crescimento anual de 5% do PIB nos próximos anos, mantendo a China dependente das exportações. Ao mesmo tempo, Pequim deverá reforçar mecanismos de proteção das suas cadeias de abastecimento, numa altura em que recursos estratégicos, como terras raras e semicondutores, ganham peso geopolítico.
O novo plano quinquenal será, assim, interpretado como um teste à capacidade da China de transformar ambição tecnológica em vantagem económica duradoura.

