A Toyota Motor Corporation aumentou a sua proposta de aquisição da Toyota Industries Corporation (TICO) para cerca de 30 mil milhões de dólares, pondo fim a um impasse de vários meses com o fundo ativista Elliott Investment Management, que vinha pressionando por uma valorização mais elevada da empresa.
A nova oferta fixa o preço em 20.600 ienes por ação — aproximadamente 132 dólares — quase 10% acima do lance anterior, de 18.800 ienes. Inicialmente, em junho, a Toyota tinha apresentado uma proposta de 16.300 ienes por ação, considerada insuficiente pelo Elliott e por outros acionistas minoritários, que defendiam que a empresa estava subavaliada. O fundo chegou a afirmar que os papéis da TICO poderiam valer mais de 26.000 ienes cada.

Com a revisão da oferta, o Elliott anunciou que irá aderir à venda das suas ações, classificando o novo valor como um “resultado melhor” para os acionistas minoritários. A decisão praticamente assegura o sucesso da operação, segundo analistas de mercado, embora alguns considerem que o preço final ainda ficou abaixo do potencial defendido pelo fundo.
O caso foi acompanhado de perto pelo mercado japonês por ser visto como um teste relevante às reformas de governança corporativa promovidas no país. O embate colocou frente a frente um dos mais conhecidos investidores ativistas do mundo, liderado por Paul Singer, e a maior montadora global em volume de vendas.
Como parte do acordo, a Toyota Industries deverá desfazer-se das suas participações cruzadas em outras empresas do grupo Toyota — prática tradicional no Japão, mas frequentemente criticada por reduzir a pressão dos investidores sobre a gestão e blindar administrações contra influências externas.

A eliminação dessas participações cruzadas é considerada por especialistas como um passo significativo na modernização das práticas de governança do grupo. Em agosto, a Asian Corporate Governance Association, juntamente com dezenas de investidores institucionais, já havia manifestado preocupações sobre a operação, apontando falhas na divulgação financeira e questionando a classificação de determinadas empresas do grupo como acionistas minoritários.
Com a adesão do Elliott, a Toyota avança para consolidar o controlo sobre a fornecedora industrial, encerrando um dos episódios mais emblemáticos da crescente pressão por maior transparência e valorização de mercado nas grandes corporações japonesas.

