nstituto Nacional de Estatística revelou que a economia angolana entrou em 2025 sob pressão crescente, com o consumo a superar significativamente o crescimento do rendimento disponível, reduzindo drasticamente a margem financeira do país.
De acordo com as Contas Nacionais Anuais Preliminares, a poupança nacional caiu para 10,02% do Produto Interno Bruto (PIB), o nível mais baixo dos últimos cinco anos, representando uma queda acentuada face aos 15,88% registados em 2024.
O principal factor por trás desta deterioração foi o forte aumento das despesas privadas, que cresceram 33,36%, superando claramente a expansão do rendimento disponível, que ficou pelos 26,29%. Este desequilíbrio indica que os consumidores passaram a gastar acima da sua capacidade financeira.


Mais preocupante é a evolução da capacidade líquida de financiamento da economia, um indicador-chave que mede a autonomia do país para sustentar o seu desenvolvimento. Este caiu de 5,15% do PIB em 2024 para apenas 0,35% em 2025, evidenciando uma perda quase total da margem interna de financiamento.
A taxa de investimento também registou uma redução, passando de 10,62% para 9,65% do PIB, o valor mais baixo do período analisado. A combinação de menor poupança e menor investimento levanta preocupações quanto ao crescimento económico futuro.
Apesar deste cenário, a economia cresceu 3,13% em termos reais em 2025, abaixo dos 4,95% registados no ano anterior, reflectindo o impacto da contração de 5,23% no sector petrolífero.

Por outro lado, sectores como a agropecuária, a indústria transformadora, a administração pública e o comércio contribuíram para sustentar o crescimento, sinalizando avanços, ainda que limitados, no processo de diversificação económica.
Em termos nominais, o PIB atingiu cerca de 120 mil milhões de euros, com um crescimento de 23,35%, impulsionado pela inflação. No entanto, o PIB per capita aumentou apenas 0,64%, indicando que a melhoria económica não se traduziu de forma significativa no rendimento e no poder de compra da população.

