O grupo alemão Hugo Boss registou um desempenho financeiro acima do esperado no primeiro trimestre, apesar do impacto da guerra no Irão e da instabilidade crescente no Médio Oriente.
O lucro antes de juros e impostos (EBIT) recuou para 35 milhões de euros, face aos 61 milhões registados no período homólogo, mas superou a previsão média de 30 milhões de euros, sinalizando capacidade de adaptação num contexto de elevada volatilidade macroeconómica e pressão sobre o consumo global.


A empresa reportou uma quebra aproximada de 1% nas vendas, influenciada pela redução do fluxo de clientes nas lojas da região do Médio Oriente e por um sentimento global do consumidor mais contido.
Ainda assim, a reação dos mercados foi positiva, com as ações a valorizarem cerca de 5%, refletindo a leitura de que a performance operacional continua sólida mesmo em cenários adversos.
O CEO Daniel Grieder destacou que o grupo entrou no ano com uma estratégia definida, embora o ambiente de mercado tenha deteriorado ao longo do trimestre devido ao agravamento do conflito geopolítico.


No plano financeiro e estratégico, a Hugo Boss mantém uma cadeia de abastecimento relativamente flexível, com cerca de 50% dos materiais provenientes da Europa, reduzindo riscos logísticos e permitindo maior controlo de custos, mesmo perante potenciais disrupções futuras.
O CFO Yves Müller sublinhou ainda que os impactos na cadeia de fornecimento não foram sentidos até ao momento, embora reconheça incertezas relacionadas com tarifas de importação nos EUA e possíveis reembolsos após decisões judiciais recentes, factores que podem influenciar margens e fluxo de caixa nos próximos trimestres.

