O Sudão assegurou um financiamento estratégico de US$ 87 milhões aprovado pelo Banco Africano de Desenvolvimento para impulsionar a segurança alimentar e revitalizar o setor agrícola, num contexto marcado por conflitos, choques climáticos e fragilidade económica. A iniciativa posiciona-se como uma resposta estruturante para estabilizar a produção e reduzir a dependência externa de alimentos.
O programa, denominado BOOST, prevê um investimento total de cerca de US$ 100 milhões e conta com apoio técnico e operacional de parceiros como a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura e o Programa Mundial de Alimentos. O foco está na reconstrução dos sistemas agroalimentares, com impacto direto nas cadeias de valor agrícola e na criação de novas oportunidades de agronegócio.


A estratégia inclui a distribuição de sementes melhoradas, adoção de tecnologias agrícolas resilientes ao clima e reforço da infraestrutura de armazenamento e processamento. Estas medidas visam reduzir perdas pós-colheita, aumentar a produtividade e melhorar o acesso aos mercados, elementos críticos para dinamizar a economia rural e atrair investimento no setor.
Com implementação em regiões-chave como Nilo Azul, Sennar e Kassala, o projeto prioriza áreas com elevada pressão social e produtiva. A abordagem integrada combina produção agrícola com inclusão financeira, promovendo acesso a crédito, capacitação e ferramentas digitais, especialmente para mulheres e jovens, considerados vetores essenciais para a transformação do agronegócio local.


O impacto económico projetado é relevante: mais de 1,2 milhão de pessoas beneficiadas, incluindo cerca de 232 mil famílias agrícolas, além da criação de milhares de empregos diretos e indiretos. Ao fortalecer a produção interna e estimular o empreendedorismo rural, o Sudão dá um passo estratégico na reconstrução económica, reforçando a resiliência alimentar e abrindo caminho para um crescimento mais sustentável e menos dependente de importações.

