A Airtel Africa está a estruturar uma possível oferta pública inicial (IPO) da sua unidade de serviços financeiros móveis, a Airtel Money, numa operação que poderá captar entre 1,5 e 2 mil milhões de dólares e avaliar o negócio em cerca de 10 mil milhões de dólares, segundo fontes do mercado citadas pela imprensa internacional.
A operação, ainda em fase de estudo, insere-se numa estratégia empresarial de desbloqueio de valor e reforço da presença no mercado de capitais, num momento em que o setor fintech africano atrai forte interesse de investidores globais.
A potencial listagem, com Londres como principal candidato a sede, posiciona a Airtel Money como um dos maiores ativos de tecnologia financeira ligados à África a entrar no mercado acionista europeu nos últimos anos.


O crescimento da unidade sustenta essa ambição a receita avançou cerca de 29,4% para 986 milhões de dólares num período de nove meses, enquanto a base de utilizadores ultrapassou os 52 milhões, impulsionada pela expansão do acesso digital, pela juventude demográfica e pela baixa bancarização em vários mercados africanos.
Investidores como a Mastercard e a TPG já demonstram exposição ao ativo, reforçando a perceção de valor estratégico do ecossistema financeiro digital da empresa.
No plano financeiro e de negócios, o IPO representa também uma resposta à necessidade de diversificação de receitas face à pressão sobre o core de telecomunicações, alinhando a empresa com a tendência estrutural de convergência entre telecom, pagamentos e serviços financeiros digitais.


O processo está a ser assessorado pelo Citigroup e poderá influenciar a avaliação de outras fintechs africanas em futuras operações de mercado de capitais.
Caso concretizado, o IPO da Airtel Money poderá tornar-se um referencial para a valorização de plataformas digitais no continente e um teste direto ao apetite global por ativos tecnológicos africanos.

