O aumento da sofisticação da inteligência artificial está a intensificar os riscos cibernéticos no sistema financeiro europeu, levantando preocupações sobre a resiliência das infra-estruturas críticas e a estabilidade dos mercados. O alerta parte da European Securities and Markets Authority, que identifica uma aceleração na complexidade e velocidade dos ataques digitais impulsionados por novas tecnologias.
A presidente da ESMA, Verena Ross, sublinha que a integração de modelos de IA nos sistemas financeiros pode amplificar vulnerabilidades, tornando os ataques mais rápidos e difíceis de conter. Este cenário exige uma resposta regulatória mais ágil e tecnicamente robusta, num contexto em que os supervisores enfrentam dificuldades para acompanhar o ritmo da inovação tecnológica.


Do ponto de vista económico, o risco cibernético é visto como um factor capaz de desencadear choques nos mercados, especialmente num ambiente de avaliações elevadas dos activos. A combinação entre vulnerabilidades digitais e eventuais correcções de mercado pode amplificar volatilidade, afectando confiança dos investidores e estabilidade financeira.
Em paralelo, o reforço da supervisão sobre fornecedores tecnológicos considerados críticos revela uma preocupação crescente com a dependência do sector financeiro em infra-estruturas digitais externas. A possibilidade de incluir empresas de IA nesse grupo reflecte a importância estratégica destes actores no funcionamento dos mercados modernos.


No segmento das criptomoedas, o desafio regulatório intensifica-se com a necessidade de licenciamento e controlo de operadores, num esforço para reduzir riscos sistémicos e aumentar a transparência. Em termos estratégicos, a União Europeia procura equilibrar inovação e segurança, reforçando o quadro regulatório para mitigar ameaças e sustentar o crescimento de um ecossistema financeiro cada vez mais digitalizado.

