A Comissão Europeia anunciou um novo pacote humanitário de 235 milhões de euros (cerca de US$ 256 milhões) destinado à África Ocidental e Central, numa resposta ao agravamento simultâneo de conflitos armados, insegurança alimentar, deslocamentos populacionais e choques climáticos que continuam a pressionar economias já fragilizadas da região.
O financiamento será canalizado para programas de ajuda alimentar de emergência, saúde, nutrição, proteção social, abrigo, água potável, saneamento e educação em contextos de crise. Para além do impacto humanitário imediato, a iniciativa procura limitar perdas económicas provocadas pela deterioração social, interrupção de cadeias produtivas e redução da capacidade laboral em países altamente dependentes da agricultura e do comércio informal.
Uma das maiores parcelas será direcionada ao Sahel Central, que receberá 75 milhões de euros (US$ 82 milhões). A região, que inclui países como Mali, Burkina Faso e Níger, enfrenta forte instabilidade de segurança e deslocamentos em massa. Mais de 12,4 milhões de pessoas necessitam atualmente de assistência humanitária. A degradação da segurança no Sahel tem também afastado investimento privado, encarecido transportes e reduzido o comércio transfronteiriço.


O Chade ficará com mais de 72 milhões de euros (US$ 78,5 milhões), numa altura em que se tornou um dos principais destinos de refugiados sudaneses desde o início da guerra no Sudão, em abril de 2023. O país acolhe mais de 919 mil refugiados sudaneses e cerca de 390 mil cidadãos regressados, o que tem elevado a pressão sobre serviços públicos, alimentos e infraestruturas locais.
A Nigéria, maior economia africana em PIB nominal, receberá 33 milhões de euros (US$ 36 milhões) para enfrentar uma das piores crises alimentares dos últimos anos. Segundo estimativas citadas pela União Europeia, 35 milhões de pessoas precisam de ajuda alimentar urgente, enquanto 6,4 milhões de crianças sofrem de desnutrição aguda. A crise representa também um risco macroeconómico, ao pressionar inflação alimentar, produtividade e estabilidade social.

Nos Camarões, o pacote será de 16,6 milhões de euros (US$ 18,1 milhões) para apoiar quase 3 milhões de pessoas vulneráveis, incluindo deslocados internos. Já a República Centro-Africana receberá 22 milhões de euros (US$ 24 milhões), num contexto de fragilidade estrutural e dependência externa.
A Mauritânia contará com 4,8 milhões de euros (US$ 5,2 milhões) para apoiar mais de 400 mil refugiados e requerentes de asilo, sobretudo provenientes do Mali. Outros 6 milhões de euros serão repartidos entre países costeiros da África Ocidental, como Benin, Costa do Marfim, Gana e Togo, onde cresce a pressão migratória e a insegurança regional.


A Comissária Europeia para Igualdade, Preparação e Gestão de Crises, Hadja Lahbib, afirmou que a região enfrenta “uma tempestade de crises humanitárias, impulsionadas por conflitos, pobreza, fome, instabilidade e choques climáticos”, reiterando que a União Europeia pretende manter-se como parceiro estratégico e confiável no apoio ao continente.
Apesar do reforço financeiro, analistas alertam que a ajuda externa, por si só, não resolve causas estruturais como desemprego juvenil, fragilidade institucional, dependência alimentar, terrorismo e défice de infraestruturas. Sem reformas económicas e políticas consistentes, a região poderá continuar presa a ciclos recorrentes de emergência e assistência internacional.

