A província do Namibe está a perder entre 25 e 28 milhões de kwanzas por trimestre devido à prática de pesca ilegal, fenómeno que continua a pressionar o sector pesqueiro local e a reduzir receitas públicas. O alerta foi feito pelo presidente da Associação de Cooperativas de Pesca Artesanal, José Vata.
A actividade clandestina mantém-se activa em várias zonas costeiras, onde alguns operadores continuam a capturar peixe com equipamentos proibidos por lei. Entre as principais irregularidades estão o uso de redes de arrasto e operações em áreas interditas pelas autoridades.
José Vata denunciou ainda a utilização crescente de redes muito finas, com malhas entre os números 2 e 8, em substituição da malha 80 recomendada para a actividade pesqueira legal. Estes instrumentos capturam peixe de pequeno porte e espécies juvenis, comprometendo a renovação natural dos recursos marinhos.


Além das perdas financeiras imediatas, a pesca ilegal representa um risco económico de longo prazo para o Namibe, província fortemente dependente da economia do mar. A redução dos stocks pesqueiros pode afectar o abastecimento, o rendimento das famílias ligadas ao sector e o emprego nas comunidades costeiras.
O dirigente associativo defende o reforço da fiscalização marítima, maior controlo sobre embarcações e campanhas de sensibilização junto dos pescadores. Reconheceu, contudo, os esforços já desenvolvidos pelo Ministério das Pescas e Recursos Marinhos no combate às práticas ilegais.
Especialistas alertam que, sem medidas mais duras, a pesca ilegal continuará a corroer receitas fiscais e a fragilizar uma das principais actividades económicas da província. Para o Namibe, proteger os recursos marinhos tornou-se não apenas uma questão ambiental, mas também estratégica para o crescimento económico regional.

