Uma empresa social sediada no Reino Unido está a avançar com um projecto para exportar ouro do leste da República Democrática do Congo (RDC), numa tentativa de transformar a mineração artesanal num circuito formal e rastreável, num contexto ainda marcado por insegurança e fragilidade institucional na região.
A iniciativa, denominada PeaceGold, foi lançada em 2013 em parceria com organizações locais de mediação de conflitos e prevê o início das primeiras exportações em setembro de 2026. O plano mantém-se activo mesmo após a interrupção de várias actividades mineiras no ano anterior devido à escalada de violência em zonas estratégicas de extracção.


O projecto procura reduzir a dependência do ouro congolês de canais informais, que historicamente têm alimentado redes de contrabando e privado o Estado de receitas fiscais significativas. A estratégia passa por integrar mineiros artesanais em cooperativas organizadas e submetidas a padrões internacionais de rastreabilidade.
Segundo o fundador da iniciativa, Greg Valerio, o objectivo central é estruturar uma cadeia de valor transparente que permita ao ouro congolês chegar aos mercados globais com certificação de origem ética, ao mesmo tempo que cria alternativas de rendimento para comunidades locais e antigos combatentes, reduzindo a pressão social associada ao conflito.
O leste da RDC continua a ser uma das regiões mais ricas em recursos minerais em África, com forte potencial de geração de divisas, mas também uma das mais complexas em termos de governação. A ausência de controlo estatal efectivo em várias áreas tem permitido que uma parte significativa da produção de ouro circule fora dos circuitos formais de comércio.

A PeaceGold pretende operar com cooperativas locais, aumentando gradualmente a escala das exportações e estabelecendo fluxos regulares para mercados internacionais que valorizam cadeias de fornecimento responsáveis. Embora os destinos finais ainda não tenham sido divulgados, espera-se que envolvam compradores institucionais e refinarias com políticas de conformidade rigorosas.
Especialistas apontam que, se o modelo for bem-sucedido, poderá representar uma mudança estrutural no sector mineiro congolês, ao transformar a mineração artesanal num activo económico formal, com impacto directo na arrecadação fiscal, estabilidade local e valorização do produto no mercado internacional.
Contudo, o sucesso da iniciativa dependerá da capacidade de garantir segurança operacional, controlo efectivo das cadeias logísticas e cooperação contínua entre actores locais e internacionais, num ambiente onde o risco político e militar ainda é elevado.
