Uma disputa por licença petrolífera na Namíbia voltou ao centro do debate judicial e regulatório, após a empresa Red Soil Energy and Mineral Exploration recorrer ao Supremo Tribunal, contestando a rejeição do seu pedido de exploração offshore por parte do Ministério de Minas e Energia.
O caso remonta a 2021, quando o então ministro Tom Alweendo recusou a candidatura da empresa para quatro blocos petrolíferos no sul do país, alegando falhas na documentação, incluindo ausência de demonstrações financeiras auditadas e de um plano técnico consistente. A decisão foi validada pelo Tribunal Superior em 2023, que classificou a proposta como incompleta e pouco rigorosa do ponto de vista técnico.
No recurso agora em análise, a Red Soil sustenta que houve violação dos princípios de justiça administrativa, alegando tratamento desigual face a outros concorrentes. A empresa defende que cumpriu os requisitos mínimos legais e que o processo de avaliação deveria ter incluído uma fase adicional para correção e complementação de informação, prática que, segundo os seus advogados, é comum no setor.

O processo ganhou maior sensibilidade após acusações de possível interferência indevida no processo de atribuição de licenças, incluindo alegações de favorecimento com base em ligações políticas. Estas acusações foram rejeitadas pelas autoridades, que reforçam que a competência de decisão é exclusivamente ministerial e que não houve qualquer desvio aos procedimentos legais estabelecidos.
Do lado do governo, a argumentação centra-se na necessidade de rigor técnico e financeiro na atribuição de concessões petrolíferas, sobretudo num contexto em que a Namíbia se posiciona como um dos mercados emergentes mais atrativos no setor energético africano. As autoridades defendem que flexibilizar critérios poderia comprometer a credibilidade do quadro regulatório e afastar investidores institucionais.


Os blocos em disputa localizam-se numa área estratégica próxima de concessões operadas por grandes players internacionais, o que aumenta o seu valor potencial e a sensibilidade do processo. O facto de nenhuma licença ter sido atribuída até ao momento é utilizado pelo governo como argumento de ausência de favorecimento, reforçando a narrativa de neutralidade institucional.
Do ponto de vista económico, o desfecho deste caso poderá influenciar diretamente a perceção de risco regulatório no país. Investidores internacionais tendem a avaliar não apenas o potencial geológico, mas também a previsibilidade jurídica e a transparência dos processos de concessão, fatores críticos para decisões de investimento de longo prazo.

