A decisão do governo da Namíbia de restringir o acesso rodoviário em Sossusvlei está a gerar forte contestação no setor do turismo, ao levantar preocupações sobre concentração de mercado e impacto na competitividade. A medida prevê limitar a circulação entre áreas-chave do destino a operadores específicos, numa tentativa de reorganizar o fluxo turístico e aumentar a arrecadação estatal.
Operadores turísticos alertam que a concessão atribuída a uma única empresa pode configurar um cenário de monopólio, prejudicando sobretudo pequenos negócios locais e reduzindo a diversidade de serviços. A imposição de um intermediário obrigatório para um trecho estratégico da visita levanta dúvidas sobre aumento de custos para turistas e perda de autonomia operacional das agências.


Do ponto de vista económico, a medida pode comprometer um dos pilares mais relevantes da economia namibiana — o turismo de natureza — ao criar barreiras artificiais à concorrência. Empresas do setor argumentam que a previsibilidade regulatória e a concorrência aberta são essenciais para garantir investimento, inovação e qualidade da oferta turística.
O governo, por sua vez, defende que a iniciativa permitirá maior controlo ambiental e geração de receitas, reduzindo o impacto do tráfego automóvel em áreas sensíveis. No entanto, a ausência de regulação clara sobre tarifas e a inconsistência na comunicação institucional têm alimentado a incerteza entre os operadores.


O episódio expõe um dilema recorrente em mercados emergentes: equilibrar a monetização de ativos naturais com a manutenção de um ambiente competitivo e sustentável. No caso da Namíbia, a forma como esta política for implementada poderá redefinir a confiança dos investidores e o posicionamento do país como destino turístico de excelência.

