O Zimbábue considera que a sua moeda, o Zimbabwe Gold (ZiG), está significativamente subvalorizada, podendo valer até o dobro do seu nível atual, segundo declarações do banco central citadas pela Bloomberg.
O governador John Mushayavanhu argumenta que, com base nas reservas cambiais e no lastro em ouro, seria possível recomprar toda a moeda em circulação a uma taxa muito mais forte do que a atualmente praticada no mercado.
Esta avaliação surge num momento crítico em que o país tenta reposicionar a sua credibilidade monetária após anos de instabilidade cambial e inflação elevada.


Do ponto de vista económico e financeiro, o ZiG representa a sexta tentativa do país em 15 anos de restaurar uma moeda funcional, sustentada por cerca de 2,5 toneladas de ouro e mais de 100 milhões de dólares em reservas estrangeiras.
Apesar dos avanços incluindo a queda da inflação para níveis de um dígito pela primeira vez em quase três décadas a confiança do mercado continua a ser o principal obstáculo, com mais de 90% das transações ainda realizadas em dólares norte-americanos.
Este cenário limita a eficácia da política monetária e reduz a capacidade do país de captar valor interno, mantendo elevada a dependência externa.


Ainda assim, os fundamentos começam a mostrar sinais de recuperação, com reservas totais próximas de 1,4 mil milhões de dólares e crescimento da produção de ouro, que impulsionou receitas de exportação.
A autoridade monetária projeta inflação controlada e crescimento económico de cerca de 5%, embora riscos externos como choques nos preços de energia e potenciais secas associadas ao El Niño possam pressionar o equilíbrio macroeconómico.
Para investidores, o caso do Zimbábue representa uma oportunidade de alto risco e potencial elevado, onde a consolidação da confiança será determinante para transformar estabilidade monetária em crescimento sustentável.

