O Marrocos está a enfrentar uma transformação estrutural no seu setor agrícola, com fazendas a recorrerem cada vez mais a trabalhadores migrantes da África Ocidental para suprir a escassez de mão de obra.
Na região de Souss-Massa, especialmente em Ait Amira e nas planícies de Chtouka, o crescimento das estufas voltadas à exportação para a Europa e África Ocidental contrasta com a saída de trabalhadores locais para centros urbanos, pressionando a capacidade produtiva e acelerando a dependência de mão de obra estrangeira.


Este movimento redefine o papel de Marrocos como polo agroexportador e também como país de destino migratório.
Do ponto de vista empresarial, o setor agrícola marroquino está a adaptar-se a uma nova lógica de custos e produtividade, impulsionada pela expansão de culturas de alto valor como tomates, framboesas e mirtilos.
A escassez de trabalhadores locais elevou salários para níveis até cinco vezes superiores aos pagos a migrantes, criando uma pressão direta sobre margens de produtores e incentivando modelos de remuneração por produtividade.


Ao mesmo tempo, a migração da força de trabalho rural para setores urbanos como construção e serviços está a reconfigurar o mercado laboral, num país onde o emprego agrícola perdeu cerca de 1,7 milhão de postos desde 2000.
Para investidores e operadores do agronegócio, a dependência crescente de migrantes da África Subsaariana representa simultaneamente risco operacional e oportunidade de estabilidade produtiva, num contexto em que mais de 24.000 hectares de estufas sustentam grande parte das exportações agrícolas do país.
Apesar da informalidade dominante, o aumento da regularização de migrantes mais de 50.000 desde 2013 sugere uma formalização gradual do setor laboral.
A médio prazo, a sustentabilidade do modelo agrícola marroquino dependerá da capacidade de equilibrar competitividade salarial, segurança laboral e eficiência produtiva numa cadeia cada vez mais orientada para exportação.

