As companhias aéreas em Portugal admitem a possibilidade de aumento de preços das passagens e eventuais cancelamentos de voos, caso a crise energética na Europa se prolongue e afecte o abastecimento de combustível de aviação.
A posição foi avançada pela Associação das Companhias Aéreas em Portugal (RENA), que esclareceu que, até ao momento, não existem impactos directos nas operações, embora o sector esteja a monitorizar de perto a evolução do mercado energético.


O alerta surge na sequência de declarações do director-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, que afirmou que a Europa poderá dispor de apenas “mais seis semanas de combustível para aviões”, caso persistam as restrições no fornecimento de petróleo e gás através do Estreito de Ormuz.
Em declarações à agência Lusa, o director-executivo da RENA, António Moura Portugal, sublinhou que o aviso deve ser interpretado como um sinal claro das pressões que a instabilidade energética global está a exercer sobre o sector da aviação, fortemente dependente de matérias-primas críticas.

O responsável destacou que o combustível de aviação, conhecido como jet fuel, tem uma cadeia de abastecimento global sensível, com grande parte do fornecimento europeu historicamente ligado ao Golfo. Apesar de essa dependência ter diminuído nos últimos anos, o risco de constrangimentos continua presente em cenários de tensão geopolítica.
Caso a crise se agrave, o sector poderá ser forçado a ajustar operações, reduzindo frequências de voos e transferindo parte dos custos para o consumidor final, o que resultaria numa subida generalizada dos preços das passagens aéreas.
As companhias alertam ainda que a combinação entre escassez de combustível e aumento dos custos logísticos pode pressionar a rentabilidade do sector, num momento em que a aviação ainda se recupera de choques anteriores na cadeia de fornecimento global.

