Portugal volta ao centro do debate energético europeu ao ser identificado como um território com potencial significativo de petróleo e gás, ainda por confirmar comercialmente, num contexto global marcado por pressões na oferta e elevada volatilidade dos preços. A necessidade de reforçar a segurança energética tem reativado discussões sobre a viabilidade económica e estratégica da prospeção de hidrocarbonetos no país.
Apesar de décadas de estudos e mais de 300 avaliações realizadas, ainda não existe uma confirmação clara sobre reservas exploráveis em escala comercial. Especialistas do setor apontam que os indícios geológicos são consistentes, sobretudo em áreas offshore, mas defendem que a ausência de investimento contínuo em pesquisa impede conclusões definitivas e limita o aproveitamento de potenciais recursos.


Do ponto de vista empresarial, a Galp sustenta que uma avaliação responsável dos recursos nacionais pode contribuir para reduzir a dependência externa, reforçar a segurança energética e gerar valor económico. No entanto, reconhece que projetos desta natureza exigem horizontes de desenvolvimento de longo prazo, com impacto limitado no curto prazo, sobretudo face à atual crise energética global.
O principal entrave ao avanço do setor reside no enquadramento regulatório, que desde 2022 impede novas concessões para prospeção e exploração de hidrocarbonetos. Esta limitação tem afastado investidores e travado o aprofundamento do conhecimento geológico, criando um paradoxo entre o potencial identificado e a incapacidade de o validar economicamente.

Num cenário em que países produtores reforçam a sua relevância estratégica, Portugal enfrenta o desafio de equilibrar objetivos de descarbonização com a necessidade de segurança energética e competitividade económica. A eventual revisão do quadro legal e a reavaliação do papel dos hidrocarbonetos poderão ser determinantes para posicionar o país numa cadeia de valor energética mais robusta e menos dependente de importações.

