A presidente do Banco Central da Venezuela (BCV), Laura Guerra, apresentou a demissão do cargo e será substituída pelo até agora vice-presidente da instituição, Luis Pérez, anunciou a presidente interina Delcy Rodríguez. A mudança ocorre num momento sensível para a economia venezuelana, dias após os Estados Unidos levantarem sanções ao sistema bancário público do país, incluindo o próprio banco central.
Segundo Delcy Rodríguez, a renúncia foi comunicada oficialmente durante uma reunião com autoridades económicas transmitida pela televisão estatal. A chefe de Estado interina indicou que Laura Guerra continuará a desempenhar outras funções no aparelho governamental.
A saída da dirigente acontece num contexto de reaproximação financeira internacional. Nesta semana, Washington flexibilizou restrições que impediam transacções com entidades bancárias estatais venezuelanas, medida interpretada como tentativa de estabilização económica e normalização gradual do sistema financeiro local.


Para analistas, a troca no comando do BCV poderá reforçar a credibilidade institucional perante investidores externos, sobretudo numa fase em que Caracas procura recuperar acesso ao dólar, reorganizar o mercado cambial e conter pressões inflacionistas persistentes.
Luis Pérez assume o banco central com o desafio de restaurar confiança monetária, melhorar transparência estatística e apoiar a reestruturação macroeconómica. O BCV tem papel central na política cambial, liquidez bancária e eventual regresso da Venezuela a mercados multilaterais de crédito.
No mesmo ambiente de abertura, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial anunciaram a retoma de relações com a Venezuela após anos de suspensão, o que poderá desbloquear assistência técnica e futuras linhas de financiamento.

