A Cheetah Conservation Fund defende que a Namíbia pode conciliar a preservação dos guepardos com a sustentabilidade da atividade pecuária, transformando um histórico conflito entre fauna selvagem e produtores rurais numa oportunidade de equilíbrio económico e ambiental.
A fundadora da organização, Laurie Marker, sublinha que o país, considerado a capital mundial dos guepardos, enfrenta um desafio crítico: restam cerca de mil animais no território nacional, enquanto milhares continuam ameaçados em todo o continente africano, em grande parte devido a conflitos com agricultores.
Do ponto de vista económico, a preservação da espécie está diretamente ligada à proteção da cadeia de valor da pecuária, uma vez que ataques ao gado representam perdas financeiras relevantes para os produtores, criando incentivos à eliminação dos predadores.


Para mitigar este risco, a organização tem desenvolvido soluções práticas que permitem reduzir prejuízos sem comprometer a biodiversidade, incluindo o uso de cães de guarda, melhor gestão reprodutiva do gado, proteção de crias e melhoria das pastagens para reforçar a disponibilidade de presas naturais.
A estratégia também inclui programas de formação e capacitação, como iniciativas voltadas para agricultores e trabalhadores rurais, promovendo práticas sustentáveis que aumentam a produtividade agrícola e reduzem conflitos com a vida selvagem.
Além disso, o modelo aposta na educação e na integração comunitária, incentivando a participação de jovens e o envolvimento das populações locais na conservação, ao mesmo tempo que reforça o turismo ecológico como fonte alternativa de rendimento.


No plano estratégico, a coexistência entre conservação e produção agropecuária surge como um ativo económico para a Namíbia, ao permitir preservar a biodiversidade, proteger receitas do setor rural e posicionar o país como referência em soluções sustentáveis que conciliam desenvolvimento económico com proteção ambiental.

