O dólar americano recuou após ter perdido grande parte dos ganhos impulsionados pela guerra entre os Estados Unidos e o Irã, num movimento que reflete a redução do prémio de risco geopolítico nos mercados cambiais globais. A moeda norte-americana, que havia atingido máximas recentes com a procura por ativos de refúgio, voltou a estabilizar com o arrefecimento das tensões no Médio Oriente.
Apesar da correção, analistas consideram improvável uma desvalorização acentuada do dólar no curto prazo, sustentando que a procura estrutural por ativos dos Estados Unidos continua robusta. A perceção de segurança dos mercados norte-americanos, aliada à profundidade do sistema financeiro do país, mantém o fluxo de capitais relativamente estável mesmo em períodos de volatilidade internacional.


Um dos principais fatores de suporte ao dólar continua a ser o diferencial das taxas de juro entre os Estados Unidos e outras economias desenvolvidas, especialmente a Europa. Com expectativas de cortes mais limitados por parte da Reserva Federal, os ativos denominados em dólar mantêm uma vantagem de rendimento que funciona como amortecedor contra quedas mais expressivas da moeda.
Os mercados também reagiram à dinâmica do petróleo, já que o conflito no Irã havia pressionado temporariamente os preços da energia, alimentando preocupações inflacionárias. Com a estabilização parcial do cenário geopolítico, essas pressões diminuíram, contribuindo para o equilíbrio das expectativas em torno da política monetária global e reduzindo o impulso de fuga para ativos de proteção.

Ainda assim, estrategistas alertam que o dólar permanece sensível a choques geopolíticos e fiscais, incluindo o elevado défice norte-americano e debates sobre a credibilidade das instituições económicas. No curto prazo, o cenário dominante aponta para uma moeda em faixa lateral, sustentada por fundamentos financeiros sólidos, mas condicionada por incertezas estruturais e pelo risco de novos episódios de instabilidade global.

