Um consórcio liderado por Bouygues, Iliad e Orange elevou a sua proposta para cerca de 20,35 mil milhões de euros (US$ 24 mil milhões) pela SFR, numa das maiores potenciais transações do setor europeu.
O acordo, ainda em negociação com a Altice France, prevê uma redistribuição acionista que daria 42% à Bouygues, 31% à Iliad e 27% à Orange, sinalizando uma reconfiguração profunda do mercado francês e a possível saída do investidor Patrick Drahi.



Do ponto de vista empresarial e financeiro, a operação representa uma aposta estratégica em escala e eficiência num setor pressionado por elevados custos de infraestrutura e margens reduzidas.
A potencial redução do número de operadoras móveis de quatro para três poderá desbloquear sinergias operacionais, otimizar investimentos em redes incluindo fibra e 5G e melhorar a rentabilidade no médio prazo.
No entanto, a reação imediata do mercado, com quedas nas ações da Orange e da Bouygues, reflete preocupações dos investidores quanto ao preço pago e aos riscos associados à integração, bem como à necessidade de financiamento adicional, sobretudo via dívida.


A concretização do negócio dependerá de um rigoroso escrutínio regulatório em França e na União Europeia, onde autoridades de concorrência avaliam impactos sobre preços, emprego e investimento.
O caso poderá estabelecer um precedente relevante para a consolidação do setor em mercados como Itália, Espanha e Alemanha, onde operadores defendem maior escala para sustentar inovação e competitividade global.
Para investidores, a transação representa um ponto de inflexão: se aprovada, poderá inaugurar uma nova fase de fusões no setor europeu, com efeitos diretos na estrutura de mercado e na valorização dos ativos de telecomunicações.

