O Gana registou um marco histórico em 2025 ao ultrapassar os 3 mil milhões de dólares em exportações não tradicionais, refletindo uma mudança estrutural na sua economia, segundo a Ghana Export Promotion Authority (GEPA).
Os dados indicam que os dez principais produtos geraram cerca de US$ 3,28 mil milhões, representando um crescimento de 53% face a 2024, impulsionado sobretudo pelo aumento da capacidade industrial e pela aposta estratégica na transformação local de matérias-primas.
Este desempenho reforça a competitividade do país e evidencia um reposicionamento claro na cadeia global de valor, com impacto direto na diversificação das receitas e na redução da vulnerabilidade externa.
No centro desta transformação está o complexo agroindustrial do cacau, que evoluiu de commodity primária para pilar de valor agregado.


A pasta de cacau liderou as exportações com US$ 789,3 milhões (+70,97%), enquanto a manteiga de cacau e o cacau em pó registaram crescimentos superiores a 100%, atingindo cerca de US$ 469 milhões e US$ 173 milhões, respetivamente.
No total, o setor gerou aproximadamente US$ 3,69 mil milhões, consolidando-se como motor de industrialização e de atração de investimento produtivo.
Este avanço demonstra como políticas industriais orientadas para processamento interno podem multiplicar receitas, criar emprego qualificado e aumentar margens de exportação.


A diversificação produtiva também ganhou tração, com destaque para a castanha de caju (US$ 219 milhões), derivados de karité e segmentos industriais como plásticos, alumínio e pescado processado, que juntos elevaram os bens manufaturados e semimanufaturados para mais de 83% das exportações.
Apesar de alguma pressão em setores como ferro e aço, o desempenho global mantém-se robusto, sustentado pela forte procura europeia especialmente de países como Países Baixos, Reino Unido e França e pela expansão do comércio intra-africano no âmbito da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que já representa mais de 30% das receitas.
Para investidores e decisores, o caso ganês sinaliza uma oportunidade concreta industrialização orientada à exportação pode redefinir economias africanas e posicioná-las como hubs regionais de produção.

