A gigante global do comércio de commodities Trafigura anunciou um investimento estratégico de 65 milhões de dólares para apoiar a reativação da mina de ouro Bogoso-Prestea, em Gana, num acordo que reforça o interesse internacional pelos recursos minerais africanos.
O pacote financeiro combina uma linha de crédito com um contrato de compra antecipada da produção futura de ouro da mina. Pelo acordo, a Trafigura passará a adquirir 700 mil onças de ouro doré produzidas no activo ao longo da vigência do contrato.
Os recursos serão utilizados para retomar a exploração de minério oxidado na unidade mineira, que permaneceu praticamente parada durante cerca de dois anos devido a dificuldades operacionais e disputas regulatórias.


Localizada no sudoeste de Gana, a mina de Bogoso-Prestea já produziu mais de 9 milhões de onças de ouro desde o início das actividades em 1912, sendo considerada uma das operações históricas do sector aurífero do país.
Em 2024, as autoridades ganesas revogaram a licença da anterior operadora britânica Blue International Holdings e da subsidiária Future Global Resources, citando alegações de subinvestimento, passivos em atraso e problemas ambientais.
A actual proprietária, Heath Goldfields, sediada em Accra, assumiu o controlo do activo em novembro de 2025, após processos judiciais e decisão favorável da Suprema Corte do Gana. A empresa retomou a produção no início deste ano e registou a primeira extracção de ouro em fevereiro.

O director-geral da Heath Goldfields, Patrick Appiah Mensah, classificou o acordo com a Trafigura como um momento decisivo para o projecto, sublinhando que o apoio financeiro reforça a confiança no potencial de longo prazo da mina.
Analistas do sector consideram que a operação reflecte uma tendência crescente em África, onde grandes comerciantes globais de commodities oferecem financiamento em troca de fornecimento futuro, sobretudo em mercados onde o acesso ao capital ainda é limitado.
Para Gana, um dos maiores produtores de ouro do continente, o sucesso da recuperação de Bogoso-Prestea poderá fortalecer receitas de exportação, gerar empregos e consolidar a confiança de investidores internacionais no sector mineiro nacional.

