A francesa TotalEnergies projeta um aumento significativo dos lucros no primeiro trimestre de 2026, sustentado por preços elevados do petróleo e forte desempenho comercial, mesmo com a produção parcialmente afetada por tensões geopolíticas ligadas à guerra no Irão.
O conflito provocou a interrupção de cerca de 15% da produção global do grupo, mas o impacto foi compensado pelo crescimento operacional noutras regiões e pela valorização das commodities energéticas.
O cenário internacional de alta do petróleo com o Brent a aproximar-se dos 120 dólares por barril reforçou de forma expressiva as receitas da empresa, sobretudo nos segmentos upstream e de comercialização.
A produção manteve-se estável face ao trimestre anterior, mesmo com a perda de cerca de 100 mil barris diários no Médio Oriente, evidenciando a capacidade da TotalEnergies de reequilibrar a sua carteira global de ativos e preservar margens operacionais num ambiente de elevada volatilidade.


No segmento de refinação e distribuição, a empresa registou um desempenho particularmente forte, com margens europeias a dispararem para 11,40 dólares por barril, quase três vezes acima do ano anterior.
Este crescimento foi impulsionado por taxas de utilização acima de 90% nas refinarias e por ganhos significativos nas operações de trading de petróleo bruto e derivados, especialmente em março, período marcado por forte instabilidade nos mercados internacionais.
O negócio de gás natural liquefeito (GNL) também contribuiu para o desempenho positivo, beneficiando de oportunidades comerciais geradas pela volatilidade global e pela reorganização dos fluxos energéticos após interrupções no Estreito de Ormuz.
Apesar disso, a produção afetada no Médio Oriente, incluindo ativos no Qatar e na Arábia Saudita, destacou a vulnerabilidade estrutural do setor energético a choques geopolíticos, mesmo para grandes multinacionais integradas.


O resultado reforça a lógica de que empresas com portfólios diversificados e presença global conseguem transformar instabilidade em oportunidade de lucro.
A TotalEnergies, tal como outras gigantes do setor, como BP e Shell, beneficia diretamente da volatilidade dos preços, ao mesmo tempo que enfrenta desafios operacionais ligados a interrupções logísticas e riscos de fornecimento.
A divulgação completa dos resultados está prevista para 29 de abril, mas as prévias já indicam um trimestre robusto, marcado por forte geração de caixa e resiliência operacional, num contexto em que o setor energético global continua altamente exposto a riscos geopolíticos e oscilações extremas de preços.

