O Quênia garantiu um novo impulso financeiro para acelerar a transformação urbana sustentável, após assegurar US$ 5,2 milhões em apoio internacional para implementar um modelo de desenvolvimento de baixo carbono em Nairobi, capital e principal centro económico do país.
A iniciativa foi lançada em parceria com o Governo queniano, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e a ONU-Habitat, num momento em que Nairobi enfrenta forte pressão demográfica, desafios habitacionais e crescente exposição a eventos climáticos extremos.

O financiamento, proveniente do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), terá duração de cinco anos e pretende mobilizar até US$ 40 milhões adicionais em investimentos públicos, além de cerca de US$ 2 milhões em apoio técnico e recursos complementares de parceiros estratégicos.
Segundo as autoridades, o projecto terá como eixo principal o planeamento integrado de bairros urbanos, combinando redução de emissões de carbono, recuperação ambiental, modernização de serviços públicos e melhoria da qualidade de vida nas comunidades.
A zona de Kamukunji, no centro de Nairobi, será a primeira área-piloto do programa, beneficiando cerca de 85 mil moradores. Entre as intervenções previstas estão redes energéticas renováveis, sistemas modernos de gestão de resíduos, infraestruturas resilientes às alterações climáticas e recuperação de trechos degradados do Rio Nairobi.

A directora-executiva do PNUMA, Inger Andersen, destacou que as cidades representam quase 70% das emissões globais de gases com efeito de estufa, mas também são essenciais para implementar soluções sustentáveis e inclusivas.
Já a secretária da Habitação do Quênia, Alice Wahome, afirmou que o governo está empenhado em criar cidades modernas, inclusivas e resistentes às mudanças climáticas, com especial atenção às comunidades de baixa renda.
Especialistas avaliam que o projecto poderá transformar Nairobi num modelo africano de urbanização verde, atraindo novos financiamentos internacionais e servindo de referência para outras cidades do continente que enfrentam desafios semelhantes.

