A África do Sul voltou a captar promessas de investimento em níveis recordes durante a mais recente conferência internacional, mas continua a enfrentar dificuldades na transformação desses compromissos em actividade económica real.
A sexta edição da South Africa Investment Conference, realizada em Joanesburgo, garantiu 81 novos projectos avaliados em cerca de 889,8 mil milhões de rands (54 mil milhões de dólares), reforçando a meta de mobilizar 3 biliões de rands até 2030.


O Presidente Cyril Ramaphosa considerou os resultados como sinal de confiança renovada na economia sul-africana, mesmo num contexto global marcado por tensões geopolíticas e incertezas económicas.
No entanto, dados oficiais mostram que a execução continua aquém do esperado. Desde 2018, apenas cerca de 634 mil milhões de rands, menos de 42% dos investimentos anunciados, foram efectivamente materializados na economia.
Este nível de conversão é inferior à média global, estimada entre 60% e 80%, evidenciando desafios estruturais persistentes no país, como instabilidade política, corrupção e limitações em infra-estruturas de energia e transporte.
A economia sul-africana mantém um crescimento modesto, entre 1% e 2% ao ano, insuficiente para reduzir o desemprego, que permanece acima dos 30%.

Os investimentos anunciados concentram-se em sectores como turismo, economia digital, energia verde e imobiliário, com forte participação de empresas locais e multinacionais, incluindo a Sasol, a MTN, a DP World, a Visa e a Uber.
Apesar disso, o investimento estrangeiro directo tem vindo a diminuir desde 2022, com o país a registar uma saída líquida de capital em 2025, sinalizando perda de confiança dos investidores.
Perante este cenário, especialistas defendem a aceleração de reformas estruturais em áreas-chave como energia, logística e governação, consideradas essenciais para transformar promessas em crescimento económico sustentável.

