A Administração Geral Tributária está a acelerar a modernização do sistema fiscal em Angola com a introdução de mecanismos de inteligência artificial para detetar fraudes, numa estratégia que visa aumentar a eficiência da arrecadação e reduzir perdas fiscais. A iniciativa foi confirmada por José Leiria, que destacou o uso de tecnologia avançada na análise e monitorização de grandes contribuintes.
Do ponto de vista económico, a adoção de inteligência artificial representa um salto qualitativo na capacidade de fiscalização, permitindo cruzamento massivo de dados, identificação de padrões suspeitos e maior precisão na deteção de irregularidades. Para o Estado, isso traduz-se em potencial aumento de receitas e maior controlo sobre fluxos financeiros de elevada dimensão.

A implementação destes sistemas insere-se numa tendência global de digitalização das administrações fiscais, onde a tecnologia passa a ser um instrumento central no combate à evasão e na promoção de maior transparência. No caso angolano, a fiscalização do exercício de 2024 já foi realizada com recurso a estas ferramentas, sinalizando uma mudança estrutural na abordagem do fisco.
Para o setor empresarial, especialmente grandes contribuintes, o novo modelo implica maior escrutínio e necessidade de reforço dos sistemas internos de compliance e governação fiscal. A automatização da análise reduz margens para erros ou práticas irregulares, elevando o nível de exigência no cumprimento das obrigações fiscais.
Ao mesmo tempo, o compromisso da AGT em combater práticas fraudulentas dentro da própria instituição reforça a credibilidade do sistema e envia um sinal ao mercado de maior rigor e accountability. O desafio será equilibrar fiscalização intensiva com um ambiente de negócios estável, garantindo que a tecnologia seja um instrumento de confiança e não apenas de controlo.

