A acumulação global de ouro voltou a ganhar força em 2026, com os bancos centrais a adquirirem cerca de 27 toneladas apenas no mês de Fevereiro, avaliadas em aproximadamente 2 mil milhões de dólares, num movimento que reflete o reforço das reservas e a busca por maior estabilidade financeira. A tendência, liderada por economias emergentes, começa também a ganhar expressão em África, ainda que de forma gradual e estratégica.
De acordo com análises do Conselho Mundial do Ouro, a procura por ouro continua concentrada em poucos países, com destaque para o Banco Popular da China, que mantém uma sequência contínua de compras há mais de 16 meses, e para o Banco Nacional da Polónia, que adicionou entre 80 e 95 toneladas às suas reservas em 2025. Outros países, como Cazaquistão, Turquia e Índia, também têm ajustado as suas estratégias de aquisição conforme as condições de mercado.

Em África, a tendência é mais cautelosa, mas revela um movimento consistente de diversificação das reservas. O Banco da Uganda destaca-se ao implementar um programa interno de compra de ouro, com a meta de adquirir pelo menos 100 quilos em quatro meses.
Já o Banco Central do Gana tem reforçado as suas reservas para sustentar a moeda nacional, enquanto o Banco Central do Egipto mantém uma abordagem mais prudente, focada na estabilidade macroeconómica.


Outros países africanos também sinalizam interesse crescente no metal precioso. No Quénia, as reservas ainda são reduzidas, mas existem planos para uma acumulação gradual, enquanto a República Democrática do Congo pretende aumentar a produção artesanal de ouro para reforçar o controlo estatal e dinamizar o sector mineiro. Estas iniciativas apontam para uma estratégia de longo prazo, alinhada com a valorização do ouro como activo de segurança.
Apesar da participação ainda limitada no total global, África começa a posicionar-se de forma mais estratégica neste mercado, adoptando uma abordagem estruturada e orientada por políticas públicas. Num contexto de volatilidade cambial e incerteza económica internacional, o ouro reafirma-se como um activo-chave para proteger reservas e fortalecer a resiliência financeira dos países.

