O Quênia decidiu interromper o ciclo de cortes das taxas de juro, mantendo a taxa básica em 8,75%, numa estratégia de prudência face ao aumento dos preços globais do petróleo.
A decisão foi tomada pelo Banco Central do Quênia, após dez reduções consecutivas, num contexto marcado pelas tensões geopolíticas no Médio Oriente, que pressionaram os custos de energia a nível global.
Segundo o comité de política monetária, a actual orientação mantém-se adequada para garantir a estabilidade da inflação e da taxa de câmbio, ao mesmo tempo que permite avaliar os efeitos indirectos do choque energético.
O Comité concluiu que a atual política monetária continua adequada para garantir que as expectativas de inflação permaneçam ancoradas dentro da meta e que a taxa de câmbio permaneça estável”, afirmou a instituição.

A inflação anual fixou-se em 4,4% em março, ligeiramente acima dos 4,3% registados em fevereiro, mantendo-se, ainda assim, dentro da meta definida pelas autoridades, entre 2,5% e 7,5%.
Apesar da estabilidade de preços, o banco central reviu em baixa a previsão de crescimento económico para 2026, de 5,5% para 5,3%, alertando que o conflito no Médio Oriente poderá afectar sectores estratégicos da economia.
A instituição também antecipou um agravamento do défice da conta corrente, agora estimado em 3,0% do Produto Interno Bruto, acima da previsão anterior de 2,2%, reflectindo o aumento dos custos de importação de energia.
Embora os preços do petróleo tenham registado alguma correção recente, analistas consideram que o mercado continuará a incorporar um prémio geopolítico, mantendo pressão sobre economias importadoras como a queniana.

