A Costa do Marfim decidiu eliminar a exigência de vistos aduaneiros para mercadorias destinadas ao Mali e ao Burkina Faso, numa medida que visa reduzir entraves administrativos e acelerar o fluxo comercial na África Ocidental. A decisão representa um passo estratégico para reforçar a eficiência logística e facilitar o acesso dos países do interior aos mercados internacionais.
A reforma foi viabilizada pela introdução de sistemas digitais de monitorização de cargas, que permitem o rastreamento em tempo real das mercadorias, substituindo processos manuais considerados morosos. Com isso, elimina-se uma exigência antiga que obrigava à validação prévia por autoridades aduaneiras estrangeiras antes da liberação das cargas.
Entre as soluções implementadas, destacam-se o Módulo de Gestão de Trânsito T1 e o Sistema Interconectado de Gestão de Mercadorias em Trânsito (SIGMAT), que asseguram maior transparência, segurança e integração entre as administrações aduaneiras. A digitalização do processo deverá reduzir atrasos, custos operacionais e riscos associados ao transporte de mercadorias.

A medida surge num contexto de reconfiguração geopolítica regional, impulsionada pela criação da Aliança dos Estados do Sahel, que reúne Mali, Burkina Faso e Níger. O bloco tem como objectivo eliminar barreiras comerciais internas e reduzir a dependência de intermediários externos, ao mesmo tempo que redefine as rotas comerciais na região.
A decisão reforça o posicionamento da Costa do Marfim como um hub logístico estratégico na África Ocidental. Ao facilitar o trânsito de mercadorias para países sem acesso ao mar, o país procura manter a sua relevância nas cadeias regionais de abastecimento, num cenário de crescente competição e transformação do comércio intra-africano.

