A crescente dependência de combustíveis importados tem exposto as economias africanas a vulnerabilidades significativas, especialmente com as recentes interrupções no fornecimento global de petróleo, causadas por conflitos no Oriente Médio, como a guerra com o Irã e o bloqueio do Estreito de Ormuz.
Estima-se que cerca de 600 mil barris de petróleo destinados à África estejam sob risco devido às restrições no tráfego de navios-tanque nessa rota estratégica, afeta diretamente países com alta dependência do petróleo importado.
A escassez e os aumentos de preços já estão gerando preocupações em toda a África, particularmente em economias como a do Quênia e da África do Sul, que dependem fortemente de fontes externas, como os Emirados Árabes Unidos, Omã e Índia, para garantir seu abastecimento de combustíveis.

No Quênia, o governo enfrenta uma pressão crescente para gerenciar o fornecimento de combustível, com o país importando a maior parte de suas necessidades diárias dos Emirados Árabes Unidos e da Índia.
Com uma capacidade de refino local limitada e um consumo diário de cerca de 100.000 barris, o Quênia precisa manter estoques para evitar desabastecimentos.
No entanto, a escassez de combustível tem sido uma preocupação crescente, com 20% dos postos de gasolina relatando falta de combustível, embora as autoridades neguem qualquer desabastecimento real.


A África do Sul, a maior economia industrializada do continente, também enfrenta desafios semelhantes, com uma forte dependência de combustíveis importados, especialmente diesel e querosene de aviação, provenientes de países como Índia, Omã e Emirados Árabes Unidos.
Recentemente, a Índia implementou tarifas de exportação sobre esses combustíveis, com o objetivo de priorizar o abastecimento interno devido às dificuldades causadas pela instabilidade no Oriente Médio.
Esta medida afeta diretamente a África do Sul, que importa uma parte significativa de seu diesel da Índia, e pode resultar em aumentos ainda mais acentuados nos preços de combustíveis e em uma pressão econômica adicional sobre as famílias e as empresas.
Essas dinâmicas ressaltam o alto grau de vulnerabilidade das economias africanas, cuja infraestrutura energética ainda depende fortemente de fornecedores estrangeiros.
Além disso, destacam a necessidade urgente de diversificação e de investimentos em refino local e alternativas energéticas, para mitigar os impactos de crises geopolíticas.
Em um cenário global cada vez mais volátil, garantir a estabilidade no abastecimento de combustíveis será essencial para a segurança energética e o crescimento econômico sustentável do continente africano.

