O Executivo angolano aprovou a emissão de até 170 mil milhões de kwanzas em Obrigações do Tesouro em moeda nacional, destinadas à capitalização da TAAG Linhas Aéreas de Angola, numa operação estratégica inserida no processo de reestruturação e modernização da transportadora.
A medida, autorizada por decreto, confere à ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, competência para avançar com uma emissão especial de títulos do Tesouro, com o objectivo de reforçar a robustez financeira de empresas públicas e participadas pelo Estado. No caso específico da TAAG, a operação será realizada de forma directa, sem desconto, e ao valor nominal, garantindo previsibilidade financeira e estabilidade no balanço da companhia.

O modelo adoptado prevê a utilização de “benchmark bonds” com maturidades de três e cinco anos, alinhadas às taxas vigentes no mercado, permitindo estruturar uma dívida com perfil sustentável e compatível com o plano de recuperação da empresa. O reembolso será efectuado pelo valor nominal no vencimento, reforçando a transparência e a credibilidade da operação junto dos investidores institucionais.
A BODIVA será responsável pela execução técnica e administrativa da emissão, incluindo o registo, processamento de juros e reembolso, através da sua plataforma electrónica do mercado primário de títulos públicos. Este enquadramento reforça o papel do mercado de capitais angolano como instrumento de financiamento estruturado para empresas estratégicas.
Do ponto de vista económico e empresarial, a capitalização da TAAG representa um passo relevante para melhorar a liquidez, optimizar a estrutura de capital e sustentar a expansão operacional da companhia. A medida poderá ainda gerar efeitos positivos no sector do turismo, logística e transporte aéreo, contribuindo para a conectividade internacional e o posicionamento de Angola como hub regional.

A operação insere-se numa estratégia mais ampla do Executivo de utilizar instrumentos financeiros domésticos para fortalecer empresas públicas, reduzir pressões orçamentais directas e promover maior eficiência na gestão de activos estatais, alinhando-se com práticas modernas de financiamento e governação económica.
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