A produção de tilápia em Angola atingiu mais de 5,6 milhões de quilogramas num único mês, consolidando a espécie como dominante no sector aquícola, mas também evidenciando riscos estruturais associados à baixa diversificação produtiva.
O dado foi avançado pela ministra das Pescas e Recursos Marinhos, Carmen dos Santos, durante a abertura do Fórum Nacional de Aquicultura Sustentável 2026, realizado nas instalações da empresa Peixe Bom, sob o lema “Investir na Aquicultura é Garantir a Segurança Alimentar”.

Segundo a governante, apesar do crescimento da produção, outras espécies como bagre e ostras ainda apresentam volumes significativamente inferiores, o que revela uma forte concentração produtiva e vulnerabilidade no sector.
Produção cresce, mas com baixa diversificação
O domínio da tilápia demonstra a capacidade produtiva instalada no país, mas também levanta preocupações quanto à sustentabilidade económica da aquicultura nacional.
A dependência de uma única espécie aumenta a exposição a riscos como choques de mercado, doenças específicas, variações de preços e limitações na competitividade internacional.

Este cenário pode comprometer a estabilidade do sector a médio e longo prazo, sobretudo num contexto de expansão da procura por proteína animal.
O fórum reuniu representantes do Governo, sector privado, associações de pesca, academia, instituições financeiras e parceiros internacionais, com o objectivo de alinhar estratégias para o desenvolvimento sustentável da aquicultura em Angola.


De acordo com a ministra, o encontro deverá resultar na chamada “Declaração de Porto Amboim 2026”, instrumento que servirá como base para a implementação de medidas concretas voltadas ao crescimento do sector e à melhoria das condições de vida das populações.
O crescimento da produção aquícola representa uma oportunidade estratégica para Angola reduzir a dependência de importações alimentares e reforçar a segurança alimentar.
A médio prazo, a implementação de políticas públicas eficazes e o acesso a financiamento serão determinantes para transformar a aquicultura num verdadeiro motor económico, capaz de gerar emprego, rendimento e estabilidade alimentar.

