Os preços da gasolina na Nigéria atingiram um aumento recorde de 65%, o maior entre as principais economias africanas, devido à guerra no Oriente Médio e à escassez de petróleo bruto interno.
Apesar da refinaria Dangote, a maior da África com capacidade para refinar 650 mil barris por dia, ter iniciado operações em pleno funcionamento no início deste ano, o país ainda depende de importações de petróleo caro para suprir suas necessidades.
O impacto dos preços elevados no mercado local tem sido devastador para empresas e consumidores, com o custo do transporte e dos alimentos disparando, resultando em uma inflação crescente.
O governo nigeriano, que removeu os subsídios de combustível em 2023, não interveio no sistema de preços de mercado, o que expôs a população a custos mais altos.
A produção de petróleo do país, que gira em torno de 1,5 milhão de barris por dia, é fortemente comprometida pelos acordos de joint venture com grandes empresas internacionais, que direcionam boa parte dessa produção para o pagamento de dívidas.


Além disso, a Nigéria não possui uma reserva estratégica de combustível, o que teria ajudado a mitigar os efeitos das flutuações nos preços globais.
A guerra no Oriente Médio exacerbou o problema, interrompendo o fornecimento de energia através do Estreito de Ormuz, crucial para o transporte de petróleo.
Com os preços do petróleo subindo para mais de US$ 100 por barril, a Nigéria enfrenta um desafio econômico, já que a refinaria Dangote não tem capacidade para atender à demanda interna com petróleo bruto local.
Como resultado, o preço do combustível tem aumentado, pressionando ainda mais a economia local e colocando em risco os esforços de recuperação pós-pandemia.
O empresário Aliko Dangote e outros líderes empresariais alertam que a crise de energia continuará a afetar negativamente a economia da Nigéria e de toda a África, a menos que seja resolvida rapidamente.
Medidas paliativas, como auxílios de transporte para servidores públicos, foram adotadas, mas especialistas recomendam reformas energéticas mais profundas e a criação de reservas estratégicas de combustível como soluções de longo prazo para estabilizar os preços e a economia do país.

