A França negou ter excluído a África do Sul da lista de convidados para a cúpula do G7, rejeitando alegações de que a decisão tenha sido influenciada por pressão dos Estados Unidos. Autoridades francesas afirmaram que a escolha do Quênia como convidado decorre da estratégia diplomática ligada à visita do presidente Emmanuel Macron ao país africano ainda este ano.
A cúpula, que terá lugar em Évian-les-Bains, reunirá líderes de economias relevantes como Índia, Brasil e Coreia do Sul, além do Quênia. A África do Sul, presença habitual nestes encontros, confirmou ter sido informada previamente pela embaixada francesa em Pretória sobre a decisão. O porta-voz do presidente Cyril Ramaphosa, Vincent Magwenya, afirmou que o país aceita a decisão e reconhece o contexto de pressão internacional.

Apesar de relatos indicando que Washington teria ameaçado boicotar a cúpula caso Pretória fosse convidada, um responsável francês negou qualquer interferência externa, reiterando que a decisão foi soberana. Um funcionário da Casa Branca alinhou-se à versão francesa, referindo que o convite ao Quênia resultou de um entendimento colectivo entre os membros do G7, sem comentar directamente a exclusão sul-africana.
O contexto geopolítico contribui para a tensão em torno do tema, sobretudo devido às posições recentes do presidente Donald Trump, que tem criticado a política externa e as leis internas da África do Sul. Durante o seu mandato, Trump já havia boicotado a cúpula do G20 em Joanesburgo e afastado Pretória de reuniões subsequentes, intensificando o distanciamento diplomático.
Paralelamente, a cúpula do G7 deverá enfrentar desafios mais amplos, com a França a tentar centrar o debate em riscos económicos globais, incluindo a prevenção de uma crise financeira e o reequilíbrio das dinâmicas comerciais internacionais. No entanto, o agravamento da crise no Irã e as tensões energéticas associadas podem dominar a agenda, reduzindo o foco nos objectivos de longo prazo.


A ausência da China, que continua a questionar a legitimidade do G7 como um “clube de países ricos”, e a incerteza sobre a participação de Trump aumentam o grau de imprevisibilidade do encontro. Segundo assessores franceses, independentemente da evolução da crise internacional, a cúpula terá de lidar com impactos económicos e energéticos imediatos, num cenário global cada vez mais volátil.

