O Camboja está a aumentar as importações de combustíveis de Singapura e Malásia para compensar a redução da oferta proveniente do Vietname e da China, num contexto de perturbação global causada pelo conflito envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã.
Segundo o ministro da Energia, Keo Rottanak, a crise levou ao encerramento temporário de cerca de um terço dos postos de combustível no país, embora a situação tenha melhorado rapidamente, com apenas 5,77% ainda encerrados. O episódio evidencia a vulnerabilidade estrutural do país, que depende fortemente de importações para suprir o consumo interno.


Em 2024, mais de 60% das importações de produtos petrolíferos do Camboja tiveram origem no Vietname e na Tailândia, enquanto Singapura e Malásia representaram quase um terço. Com as restrições de exportação impostas por alguns fornecedores asiáticos, o país foi forçado a redirecionar rapidamente os seus fluxos comerciais.
Empresas internacionais como TotalEnergies e Chevron têm desempenhado um papel relevante na mitigação de riscos, garantindo fornecimentos alternativos num mercado cada vez mais pressionado. Ainda assim, os dados indicam volatilidade: as exportações de combustíveis para o Camboja subiram 25% em termos anuais no início do mês, mas recuaram face ao período imediatamente anterior.

Do ponto de vista económico, a situação revela os riscos de países sem capacidade de refinação própria. O Camboja mantém reservas suficientes para menos de um mês em condições normais, o que aumenta a exposição a choques externos e volatilidade de preços.
Para mitigar esses riscos, o governo está a acelerar a diversificação da matriz energética. Estão em curso negociações com a Woodside Energy para o fornecimento de gás natural liquefeito (GNL) destinado a uma central eléctrica de 900 megawatts, prevista para entrar em operação no próximo ano.

Além disso, o país tem apostado no crescimento das energias renováveis, o que tem ajudado a estabilizar a procura por combustíveis fósseis e reduzir a dependência externa. Esta estratégia de diversificação energética é vista como essencial para reforçar a segurança energética e a resiliência económica face a choques geopolíticos.
O caso do Camboja ilustra como a actual crise global está a forçar países importadores a repensar cadeias de abastecimento, acelerar investimentos em energia limpa e adoptar estratégias mais robustas para garantir estabilidade no fornecimento energético.

