O Ministério do Ambiente realizou nesta segunda-feira, 16 de Março de 2026, em Luanda, um encontro multissetorial que reuniu representantes dos Ministérios da Cultura, Turismo, Relações Exteriores, Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, com o objectivo de fortalecer a valorização do património natural e cultural de Angola. O evento contou ainda com a participação do Embaixador de Angola nos Estados Unidos da América, Agostinho Van-Dúnem.
A reunião foi presidida pela Ministra do Ambiente, Ana Paula de Carvalho Pereira, e pelo Ministro da Cultura, Filipe Silvino de Pina Zau, que colocaram em foco a promoção internacional da biodiversidade angolana, tendo como ponto central o maior elefante do mundo de origem angolana, actualmente em exibição no Smithsonian National Museum of Natural History, em Washington, D.C.

Património e diplomacia cultural
Durante a sua intervenção, a ministra do Ambiente relembrou a história singular deste emblemático animal, sublinhando a sua relevância para a projecção internacional da riqueza natural de Angola. A referência incluiu o documentário Elefante Fantasma, produzido pela National Geographic, que retrata o papel simbólico deste animal na fauna angolana.
O Embaixador Agostinho Van-Dúnem destacou o potencial educativo e cultural da exposição no Smithsonian, que recebe milhares de visitantes por ano interessados na sua história, reforçando a importância de iniciativas que liguem ciência, cultura e educação ambiental.
No encontro, foi proposta a criação de uma comissão multissetorial responsável por elaborar um cronograma para a produção e instalação, em Angola, de uma réplica deste elefante, a ser exibida num futuro Museu Nacional de História Natural. A comissão terá como objectivos promover a conservação do património natural, fomentar a educação ambiental e dinamizar o turismo científico no país.


A proposta prevê ainda a atribuição de um nome de origem africana ao elefante replicado, reforçando a sua identidade cultural e histórica, além da produção de uma curta-metragem que documente o processo, contribuindo para a promoção de Angola e da sua biodiversidade.
Memorial histórico e reflexão cultural
O Embaixador também apresentou a ideia de um memorial denominado San-Koh-Fah, simbolizado por um pássaro olhando para trás, representando a importância de revisitar a história africana e valorizar a herança cultural do continente.
O memorial pretende homenagear a memória dos primeiros africanos enviados à América durante o período da escravatura, incentivando o diálogo e o reconhecimento da história comum, com impacto nas comunidades de diáspora e de justiça histórica.
A valorização do património natural e cultural tem efeitos directos na economia, nomeadamente nos sectores do turismo, educação ambiental e indústrias criativas. Segundo os dados mais recentes da Organização Mundial do Turismo (OMT), destinos com forte identidade cultural e biodiversidade tendem a atrair mais visitantes e investimentos o chamado turismo de natureza e científico gerando receitas que em muitos países representam entre 8% e 12% do PIB total.

Em Angola, investimentos em infra‑estruturas culturais e museológicas podem diversificar a economia, aumentar a estadia média de turistas estrangeiros e gerar emprego qualificado nas áreas de museologia, conservação, mediação cultural e produção audiovisual.
A criação de réplicas e museus com atractivos globais pode ainda estimular parcerias internacionais e financiamento externo para ciência, tecnologia e preservação ambiental.

