A Honda anunciou que deverá registar o primeiro prejuízo anual desde a sua entrada na bolsa em 1957, após reconhecer encargos de até 15,7 mil milhões de dólares relacionados com a reestruturação da sua divisão de veículos elétricos.
A informação foi divulgada esta quinta-feira em Tóquio, no Japão, onde a segunda maior fabricante automóvel do país explicou que a decisão foi motivada pela queda da procura por veículos elétricos, o que levou a empresa a cancelar três modelos que seriam produzidos nos Estados Unidos.
Segundo a empresa, os custos associados ao cancelamento desses projetos poderão atingir 2,5 trilhões de ienes, equivalentes a cerca de 15,7 mil milhões de dólares.
O presidente executivo da empresa, Toshihiro Mibe, afirmou que a procura por veículos elétricos diminuiu significativamente nos últimos meses, tornando “muito difícil” manter a rentabilidade dos investimentos realizados nessa tecnologia.

O cenário também foi influenciado por mudanças políticas nos Estados Unidos. Sob a presidência de Donald Trump, Washington reduziu o apoio governamental ao desenvolvimento e à compra de veículos elétricos, o que obrigou várias montadoras a rever os seus planos estratégicos.
A Honda também anunciou que está a reduzir o valor de parte das suas operações na China, onde enfrenta forte concorrência de fabricantes locais como a BYD, conhecida pelos seus veículos avançados e altamente integrados com software.
A empresa prevê agora um prejuízo anual de até 570 mil milhões de ienes, cerca de 3,6 mil milhões de dólares, para o ano fiscal que termina em março. A previsão anterior indicava um lucro de aproximadamente 550 mil milhões de ienes.
Após o anúncio, as ações da empresa negociadas nos Estados Unidos caíram cerca de 8% nas negociações pré-mercado.
Indústria automóvel enfrenta perdas com aposta em veículos elétricos
A decisão da Honda surge num contexto em que várias montadoras globais têm registado perdas significativas relacionadas com investimentos em veículos elétricos.


Empresas como General Motors, Ford e Stellantis também anunciaram recentemente ajustes financeiros devido à desaceleração da procura por carros elétricos.
Segundo estimativas do sector, as baixas contabilísticas ligadas aos veículos elétricos já somam cerca de 67 mil milhões de dólares em toda a indústria automóvel global.
Apesar do cenário desafiante, a Honda afirma que pretende reforçar a sua presença em mercados como a Índia, onde vê potencial de crescimento e menor concorrência de fabricantes chineses.
Impacto económico
Especialistas afirmam que a desaceleração da procura por veículos elétricos pode obrigar várias montadoras a reavaliar os seus investimentos e estratégias tecnológicas. A reestruturação do sector poderá provocar ajustes na produção, mudanças nas cadeias de fornecimento e novas disputas competitivas no mercado global da mobilidade elétrica.

