Executivos de grandes empresas de tecnologia têm reagido às previsões de que as novas ferramentas de inteligência artificial poderão destruir o sector tradicional de software, rejeitando a ideia e defendendo que a tecnologia deve, na verdade, impulsionar o crescimento da indústria.
O debate ganhou força depois de preocupações em Wall Street sobre o impacto da IA no mercado de software empresarial, especialmente após o lançamento de novas ferramentas capazes de automatizar tarefas normalmente realizadas por programas tradicionais.
Durante uma teleconferência com analistas, Mike Sicilia, executivo da divisão de aplicações da Oracle, afirmou que a inteligência artificial não representa uma ameaça existencial para o sector.
Temos ouvido que novas empresas que desenvolvem software rapidamente com IA vão decretar o fim do SaaS. Discordo completamente”, disse o executivo, referindo-se ao modelo de software como serviço amplamente utilizado pelas empresas de tecnologia.
Temores após novas ferramentas de IA
As preocupações aumentaram depois que a startup de inteligência artificial Anthropic lançou plugins de IA para o seu assistente digital Claude, capazes de automatizar tarefas como organização de dados de clientes e processos empresariais.
Essas funcionalidades levaram investidores a temer que parte das ferramentas tradicionais de software pudesse ser substituída por soluções baseadas em inteligência artificial.
Segundo analistas, esse receio contribuiu para uma queda de quase 1 trilhão de dólares no valor de mercado de empresas de software no último mês.
Empresas apostam na integração da IA
Executivos de várias companhias afirmam, no entanto, que a melhor resposta à nova tecnologia é incorporá-la diretamente nos seus produtos.

A Oracle, por exemplo, diz estar a utilizar inteligência artificial para criar novos sistemas capazes de automatizar processos empresariais completos.
Já a Salesforce aposta numa estratégia diferente, transformando-se numa plataforma empresarial capaz de criar e gerir agentes de IA, aproveitando a enorme base de dados de clientes que a empresa acumulou ao longo de décadas.
O CEO da empresa, Marc Benioff, afirmou recentemente que a companhia sobreviverá ao chamado “apocalipse do SaaS”, termo usado para descrever a recente queda das ações de empresas de software.
Dados exclusivos tornam-se vantagem competitiva
Especialistas afirmam que a maior proteção para as empresas de software está nos dados proprietários acumulados ao longo de anos de operação.
Segundo Rebecca Wettemann, CEO da consultora tecnológica Valoir, companhias com grandes bases de dados empresariais mantêm uma vantagem competitiva significativa.

Da mesma forma, James St. Aubin, diretor de investimentos da Ocean Park Asset Management, afirma que os dados proprietários continuam a ser a defesa mais sólida das empresas contra novos concorrentes.
Até mesmo Jensen Huang, CEO da fabricante de chips Nvidia, classificou como “ilógica” a ideia de que a inteligência artificial substituirá completamente o software empresarial.
Desafios permanecem no sector
Apesar do otimismo de algumas empresas, analistas alertam que nem todas possuem a mesma capacidade de adaptação.
A empresa de software corporativo Workday, especializada em dados de recursos humanos e folha de pagamento, tem enfrentado maior pressão no mercado. Suas ações caíram significativamente este ano após previsões de vendas consideradas fracas.
O fundador da empresa, Aneel Bhusri, voltou recentemente ao cargo de CEO para liderar a companhia num período descrito como “a era da IA em rápida evolução”.
Impacto económico
Analistas acreditam que a inteligência artificial poderá transformar profundamente o sector de software, mas não necessariamente eliminá-lo. Em vez disso, a tecnologia tende a aumentar a produtividade, criar novos modelos de negócio e gerar novas oportunidades para empresas que conseguirem adaptar-se rapidamente.
Especialistas defendem que as empresas tradicionais de software que conseguirem integrar a IA nos seus produtos e explorar os dados que já possuem poderão manter uma posição dominante no mercado global de tecnologia.

