A mineradora Pensana garantiu um investimento estratégico de 165 milhões de dólares da plataforma Cascade Natural Resources para acelerar o desenvolvimento do projecto de terras raras em Longonjo, na província do Huambo, reforçando o posicionamento de Angola no mercado global de minerais críticos.
O financiamento integra um plano de capital mais amplo, superior a 325 milhões de dólares, destinado à produção integrada de terras raras, com a mina prevista para entrar em operação em 2027.
O investimento privado também desbloqueia um pacote adicional de 160 milhões de dólares em dívida garantido pelo Export-Import Bank of the United States (EXIM), ampliando o financiamento necessário para a fase de desenvolvimento do projecto.
Cadeia estratégica de minerais críticos
O projecto de Longonjo está inserido numa estratégia mais ampla de diversificação das cadeias de fornecimento de minerais críticos, dominadas atualmente pela China, principal processadora mundial de terras raras.
Entre os elementos estratégicos estão o neodímio e o praseodímio, metais utilizados na produção de ímanes permanentes de alto desempenho aplicados em veículos eléctricos, turbinas eólicas, eletrónica avançada e sistemas de defesa.

Segundo a empresa, o modelo de operação prevê uma cadeia de produção mais integrada, com potencial acordo de fornecimento com a Toyota Tsusho, braço comercial do grupo Toyota.
Corredor do Lobito reforça logística
O projecto também beneficia da infraestrutura logística do Corredor do Lobito, considerado um eixo estratégico para o escoamento de minerais do interior de Angola até ao porto atlântico.
A integração ferroviária deverá reduzir os custos de transporte em cerca de 30%, aumentando a competitividade da produção angolana no mercado internacional.

Produção com “selo verde”
Outro factor de diferenciação é a utilização de energia hidroelétrica proveniente da Barragem de Laúca, permitindo reduzir a pegada de carbono na produção de óxidos de terras raras.
Esse elemento ambiental pode gerar um “prémio verde” no mercado, particularmente entre fabricantes de veículos eléctricos e operadores de centros de dados sujeitos a requisitos ESG mais rigorosos.
A meta inicial de produção prevê cerca de 20 mil toneladas de carbonato de terras raras por ano.
África emerge como alternativa global
O avanço do projecto em Angola ocorre num contexto mais amplo de desenvolvimento de novos polos de produção de terras raras no continente africano.
Na África do Sul, a mina Steenkampskraal apresenta um teor de óxidos de terras raras de 14,5%, considerado um dos mais elevados do mundo.
Já no Malawi, o projecto Songwe Hill está a ser desenvolvido para abastecer uma planta de separação na Polónia, fortalecendo a segurança industrial da União Europeia.
Em paralelo, o projecto Makuutu, no Uganda, explora depósitos de argila com capacidade de absorção iónica, uma importante fonte de terras raras pesadas utilizadas em tecnologias militares e industriais avançadas.
Mercado global em transformação
Analistas consideram que o crescimento desses projectos africanos poderá criar uma nova rede de fornecimento de minerais estratégicos fora da Ásia.

Contudo, especialistas alertam que a consolidação dessa alternativa dependerá da competitividade de custos e da capacidade de resistir às eventuais estratégias de preços da China, que historicamente tem dominado o mercado global de terras raras.
Se bem-sucedido, o projecto de Longonjo poderá posicionar Angola como um fornecedor relevante na cadeia global de minerais críticos, reforçando o papel do país na economia das tecnologias de energia limpa e manufatura avançada.
Fonte: Energy Capital e Power

