A Índia activou medidas de emergência no sector energético após a interrupção no transporte de gás natural liquefeito provocada pela crise no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de energia.
Segundo uma notificação do governo divulgada em Nova Délhi, o país decidiu redireccionar o fornecimento de gás de sectores considerados menos prioritários para áreas estratégicas da economia, garantindo o abastecimento em serviços essenciais.
A Índia consome cerca de 195 milhões de metros cúbicos padrão de gás por dia, sendo que aproximadamente metade desse volume é importado. Antes da interrupção no Golfo, o país recebia cerca de 60 milhões de metros cúbicos por dia provenientes do Oriente Médio, sobretudo através de exportações do Catar.

Com a declaração de força maior nas exportações de gás da região, o governo indiano passou a estabelecer prioridades no abastecimento energético.
Sectores prioritários
De acordo com o plano emergencial:
Residências e combustíveis para transporte terão 100% do fornecimento de gás, garantindo o funcionamento de cozinhas domésticas e veículos movidos a gás natural, fábricas de fertilizantes, essenciais para a agricultura, receberão cerca de 70% do abastecimento. Indústrias como chá, manufactura e outros sectores industriais terão aproximadamente 80% do fornecimento habitual. Pequenos consumidores comerciais e industriais também receberão cerca de 80% da oferta normal.

O redireccionamento será calculado com base no consumo médio dos últimos seis meses, permitindo uma distribuição proporcional entre os sectores prioritários.
A decisão reflecte o impacto crescente da crise energética global desencadeada pela instabilidade no Golfo, que tem afectado o comércio internacional de petróleo e gás e aumentado a pressão sobre países altamente dependentes de importações de energia.

