A escalada do conflito no Oriente Médio está a alterar rapidamente o cenário financeiro global e a levar investidores a rever algumas das estratégias mais populares para 2026, com quedas nas bolsas internacionais, valorização do dólar e redução das apostas em cortes de juros nos Estados Unidos.
Segundo analistas, o mercado estava fortemente posicionado para um cenário de crescimento económico este ano, mas o aumento das tensões geopolíticas e dos preços da energia trouxe de volta o risco de estagflação, combinação de crescimento fraco com inflação elevada.
Dólar volta a ganhar força
Antes da escalada do conflito, investidores mantinham a maior aposta contra o dólar desde 2021, antecipando cortes de juros pelo Federal Reserve.
No entanto, com a subida dos preços do petróleo e o aumento da incerteza global, a moeda norte-americana voltou a valorizar-se, atingindo o nível mais alto desde novembro.


Analistas destacam que os Estados Unidos estão relativamente protegidos de choques energéticos, uma vez que o país se tornou exportador líquido de energia e importa apenas cerca de 17% das suas necessidades.
Bolsas globais perdem fôlego
As ações internacionais também sofreram impacto. O índice MSCI World ex‑US registou uma queda significativa após os ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã.
Já o S&P 500 mostrou maior resiliência, reflectindo a preferência dos investidores pelos mercados americanos, considerados mais estáveis em momentos de crise.
Mercados emergentes sob pressão
Os mercados emergentes, que tinham registado forte valorização no início do ano, também foram atingidos pela turbulência.
O índice de ações emergentes da MSCI caiu cerca de 7% na última semana, enquanto o índice de moedas emergentes recuou cerca de 1,5%.

Países com maior exposição aos preços da energia ou com forte ligação ao comércio internacional sentiram mais pressão, incluindo Coreia do Sul, Brasil e África do Sul.
Cortes de juros nos EUA ficam menos prováveis
A subida dos preços da energia também reacendeu preocupações com a inflação, levando investidores a reduzir as expectativas de cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve.
Antes do conflito, o mercado atribuía cerca de 50% de probabilidade a um corte de juros já em junho. Agora, essa probabilidade caiu para cerca de 25%.
A mudança nas expectativas também se estendeu a outros bancos centrais, como o Banco de Inglaterra e o Banco Central Europeu, que podem manter ou até elevar juros caso a inflação volte a acelerar.
Sector bancário sente impacto
As ações bancárias também recuaram, à medida que os investidores avaliam o impacto económico do conflito e do risco de interrupções no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo.
Custos energéticos mais elevados podem reduzir o consumo e o investimento, o que tende a diminuir a procura por crédito, mesmo num ambiente de taxas de juros elevadas.

