A Volkswagen prevê enfrentar mais um ano desafiador, marcado por tarifas comerciais, perda de participação de mercado na Ásia e a necessidade de reestruturar operações. A maior montadora da Europa anunciou uma queda significativa no lucro operacional e estima apenas uma recuperação modesta da sua margem de lucro nos próximos anos.
A empresa tem sido pressionada por mudanças no mercado global automotivo, especialmente no seu principal destino de vendas, a China. Nos últimos anos, a Volkswagen perdeu liderança para fabricantes locais, sendo ultrapassada pela BYD em 2024 e ficando atrás também da Geely em 2025, num mercado cada vez mais competitivo e dominado por veículos elétricos e tecnologia local.
O lucro operacional do grupo caiu para cerca de 8,9 mil milhões de euros em 2025, valor inferior às previsões dos analistas e menos de metade do registado em anos anteriores. A empresa também enfrenta custos elevados devido às tarifas aplicadas pelos Estados Unidos e à revisão estratégica da marca de luxo Porsche, que suspendeu temporariamente a sua transição para veículos elétricos devido à fraca procura.


Apesar das dificuldades, a Volkswagen manteve a receita anual relativamente estável, em cerca de 322 mil milhões de euros, prevendo um crescimento limitado entre 0% e 3% em 2026. Segundo o diretor financeiro Arno Antlitz, novos lançamentos de produtos e programas de reestruturação deverão ajudar a reforçar a resiliência da empresa, embora a actual margem operacional de cerca de 4,6% seja considerada insuficiente para garantir competitividade no longo prazo.
Como parte da estratégia de redução de custos, o grupo planeia cortar cerca de 50 mil empregos na Alemanha até 2030. A reestruturação também afeta a Porsche, cujo lucro operacional praticamente desapareceu em 2025, caindo cerca de 98% para apenas 90 milhões de euros. Analistas indicam que a recuperação da Volkswagen dependerá da sua capacidade de competir com fabricantes asiáticos e acelerar a inovação no mercado global de veículos elétricos.

