A escalada do conflito no Oriente Médio poderá impulsionar a procura global por óleo de palma destinado à produção de biodiesel e ao consumo alimentar, devido ao aumento dos preços do petróleo e das tarifas de transporte marítimo, segundo representantes do sector citados pela Reuters.
A valorização do petróleo tornou o óleo de palma mais competitivo para a produção de biocombustíveis, sobretudo em mercados asiáticos que procuram abastecimento rápido. Analistas indicam que a matéria-prima passou a atrair maior interesse do sector energético após a subida significativa do preço do crude.


O óleo de palma está sendo negociado com um grande desconto em relação ao gasóleo, e a diferença atual é suficientemente lucrativa para impulsionar a demanda da indústria de biodiesel”, afirmou Anilkumar Bagani, chefe de pesquisa da corretora Sunvin Group, com sede em Mumbai.
Preços do petróleo pressionam mercado energético
Os preços do petróleo registaram uma subida superior a 25%, atingindo os níveis mais altos desde meados de 2022, impulsionados por receios de interrupções no transporte marítimo e por cortes na oferta por parte de alguns grandes produtores.
Esse cenário tem incentivado países e empresas a reforçar a utilização de biocombustíveis como alternativa energética, aumentando o interesse por matérias-primas agrícolas utilizadas na produção de biodiesel.
Indonésia pode reforçar mistura de biodiesel
A Indonésia, maior produtora mundial de óleo de palma e também maior consumidora de biodiesel derivado do produto, indicou que poderá retomar os planos de lançar o biodiesel B50 em meados deste ano para enfrentar a subida do preço do petróleo.

O B50 consiste numa mistura composta por partes iguais de biodiesel produzido com óleo de palma e diesel convencional. Em janeiro, Jacarta decidiu adiar a implementação do programa devido a desafios técnicos e financeiros, mantendo temporariamente o mandato do B40.
Segundo Anilkumar Bagani, uma mudança estrutural nas políticas energéticas de países produtores só deverá ocorrer se o óleo de palma continuar a ser negociado com desconto em relação ao gasóleo por um período prolongado.
Sudeste Asiático mantém forte capacidade de abastecimento
O óleo de palma é amplamente utilizado na indústria alimentar e em diversos produtos de consumo, desde bolos e gorduras de fritura até cosméticos e produtos de limpeza. A commodity representa mais de metade do comércio mundial de óleos vegetais.


A região do Sudeste Asiático, liderada pela Indonésia e pela Malásia, continua bem posicionada para abastecer mercados da Ásia, do Médio Oriente e da Europa.
O Sudeste Asiático está bem posicionado para fornecer óleo de palma de forma consistente a compradores na Ásia, no Oriente Médio e na Europa”, afirmou Carl Bek-Nielsen, vice-presidente e director executivo da United Plantations Berhad.
Apesar disso, alguns operadores alertam que o aumento do preço do óleo de palma em relação ao óleo de soja poderá limitar uma expansão mais forte da procura no mercado global.

